Por Cristiano Zanella
Com cinco ou seis anos de idade já freqüentava o Olímpico, lá por 77, 78! Era difícil ver crianças ou mulheres no estádio, na Geral quase não tinha – de modo que comecei indo a jogos do Gauchão, acompanhado pelo meu pai, meu tio, em grupos, com os amigos do meu velho. Mais tarde, já me levavam nos Grenais, o Grêmio tentando se re-erguer, jogos mais pegados, tumultuados (na época em que ainda vendiam cerveja, conhaque, e até dose de uísque na arquibancada). Jogos no inverno, comendo bergamota, ateando fogo em jornais ao final da partida, o cair da tarde, o cheiro da fumaça... São talvez minhas mais remotas recordações do Grêmio e do Estádio Olímpico!
Minha própria história de vida confunde-se com o ato de torcer para o Grêmio; o gremismo está arraigado em minhas mais profundas lembranças de infância e juventude. É uma alegria, motivo de muito orgulho, uma grande honra pertencer a esta torcida que emociona e serve de inspiração. Ao longo de quase 40 anos, na condição de gremista atuante, vivi o futebol e o incorporei em minha rotina prática afetiva da vida cotidiana, buscando no esporte laços de memória, identidade, visibilidade, pertencimento, parentesco, comunidade, estabelecendo, assim, novos sistemas sociais. Desculpem a viajada..., mas tento fazer uma leitura do futebol principalmente como prática social, o que torna imensurável a importância do Grêmio na minha vida! Quantas histórias e personagens, quantos amigos..., quão rica é a trajetória deste imortal tricolor, pioneiro em grandes conquistas – o número um no ranking da CBF (oficial FIFA), terceiro brasileiro no ranking da Comnebol (oficial FIFA), o mais internacional dos times gaúchos!
Neste 106 anos de história, gostaria de te agradecer, Grêmio, pelos momentos de alegria que me proporcionaste! Parabéns, campeão! Que a força esteja sempre contigo... e, agora é esmurrugar o Flu no domingo, e partir pra primeira vitória fora – o Estádio dos Aflitos já pode ser considerado a nossa casa!
Salve tricolor, gigante do futebol! A nação tricolor, este exército de bravos guerreiros, te abraça e te saúda como o maior do mundo! Parabéns, torcedor gremista! E vamos com tudo para os próximos 100 anos!!!
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Filhos de um mesmo sonho.
Por Felipe Sandrin
E ficamos a imaginar o futuro, guiados por sonhos, imaginação, mas principalmente pelo passado. Não importa a qual época pertencemos: vestir a camisa do Grêmio é ir muito além do presente, é uma dádiva de gerações que faz de milhões uma única família.
Poderíamos estar na Azenha, contornando nosso Monumental Olímpico às vésperas de mais um jogo. Poderíamos estar em Santa Catarina, junto ao sol que dá vida às grandes paisagens, tornando o azul do céu e dos mares ainda mais azul. Poderíamos estar em Buenos Aires, ou finalmente realizando o sonho de conhecer a Europa. Poderíamos estar onde estivéssemos, vivenciando novas realidades, recordando junto a saudades a falta que família e amigos nos fazem. Poderíamos estar onde, como e com quem estivéssemos, mas ainda assim seríamos Grêmio.
Assim, eu completo 106 anos; assim, meus filhos vão completar 156 anos, e meus netos, 206 anos. Porque o Grêmio é a força invisível que me liga ao passado, trazendo-me no presente a certeza de um futuro esplendoroso.
No dia 15 de setembro de 1903, nosso Grêmio nascia composto por 32 rapazes que buscavam, junto a bola, uma forma única de amizade. Mais do que um esporte, o futebol levava-os a uma idéia sólida de união. Hoje, exatos 106 anos depois, nossos laços se estenderam vencendo o tempo e a distância: somos mais de 8 milhões, filhos de um mesmo sonho, irmãos de uma mesma busca, herdeiros da mesma história que um dia nossos filhos serão.
Crises surgiram, provaremos do veneno que dissolve finais de semanas, das derrotas que arrasam o ego, mas isso não nos deterá. Um dia nos perguntaremos: de onde vem tanto amor por esse clube? Porque eu nunca desisto de acreditar? Não havendo resposta lógica, deixaremos de pensar nisso. E assim, de forma silenciosa, nosso espírito imortal nos falará:
Eu não sou de hoje,
Não pertenço ao tempo.
Das canções que me fazem lágrimas e alegrias
Sou loucura que invade, alucina e irradia.
Eu não sou de hoje,
Não pertenço ao tempo.
Uns me chamam de Grêmio, imortal tricolor
Enquanto outros se calam, sou o êxtase e a dor.
Eu não sou de hoje, porque o hoje é vago.
Eu sou para sempre porque esse é raro.
E não importa como me chamem,
Mas sim como me sentem.
Foi assim que me fiz,
Eterno...
Digno de um passado,
Que nunca me deixará ter fim.
E ficamos a imaginar o futuro, guiados por sonhos, imaginação, mas principalmente pelo passado. Não importa a qual época pertencemos: vestir a camisa do Grêmio é ir muito além do presente, é uma dádiva de gerações que faz de milhões uma única família.
Poderíamos estar na Azenha, contornando nosso Monumental Olímpico às vésperas de mais um jogo. Poderíamos estar em Santa Catarina, junto ao sol que dá vida às grandes paisagens, tornando o azul do céu e dos mares ainda mais azul. Poderíamos estar em Buenos Aires, ou finalmente realizando o sonho de conhecer a Europa. Poderíamos estar onde estivéssemos, vivenciando novas realidades, recordando junto a saudades a falta que família e amigos nos fazem. Poderíamos estar onde, como e com quem estivéssemos, mas ainda assim seríamos Grêmio.
Assim, eu completo 106 anos; assim, meus filhos vão completar 156 anos, e meus netos, 206 anos. Porque o Grêmio é a força invisível que me liga ao passado, trazendo-me no presente a certeza de um futuro esplendoroso.
No dia 15 de setembro de 1903, nosso Grêmio nascia composto por 32 rapazes que buscavam, junto a bola, uma forma única de amizade. Mais do que um esporte, o futebol levava-os a uma idéia sólida de união. Hoje, exatos 106 anos depois, nossos laços se estenderam vencendo o tempo e a distância: somos mais de 8 milhões, filhos de um mesmo sonho, irmãos de uma mesma busca, herdeiros da mesma história que um dia nossos filhos serão.
Crises surgiram, provaremos do veneno que dissolve finais de semanas, das derrotas que arrasam o ego, mas isso não nos deterá. Um dia nos perguntaremos: de onde vem tanto amor por esse clube? Porque eu nunca desisto de acreditar? Não havendo resposta lógica, deixaremos de pensar nisso. E assim, de forma silenciosa, nosso espírito imortal nos falará:
Eu não sou de hoje,
Não pertenço ao tempo.
Das canções que me fazem lágrimas e alegrias
Sou loucura que invade, alucina e irradia.
Eu não sou de hoje,
Não pertenço ao tempo.
Uns me chamam de Grêmio, imortal tricolor
Enquanto outros se calam, sou o êxtase e a dor.
Eu não sou de hoje, porque o hoje é vago.
Eu sou para sempre porque esse é raro.
E não importa como me chamem,
Mas sim como me sentem.
Foi assim que me fiz,
Eterno...
Digno de um passado,
Que nunca me deixará ter fim.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Pela volta da corda esticada.
Por Ricardo Lacerda
Perder ou até mesmo empatar com o Náutico, aquele Náutico de craques do quilate de Kuki e Rudinei, seria vexatório. Fizemos, assim, nada mais que a obrigação. Obrigação que inclui agora uma vitória consistente contra o tísico Fluminense e uma sequência de boas partidas não só dentro como fora de casa. Não podemos nos contentar com menos. Daqui para frente, cada jogo deve ser encarado como o do título. Aquele papo da “corda esticada”, de esgotamento físico e outros que tais, precisa voltar urgentemente. Ano passado, lideramos grande parte do campeonato justamente porque estávamos com a tal “corda esticada”. Onde raios puseram a maldita corda?
Faz um bom tempo que já não somos um time de meros operários, como muito se dizia. Lembremos que a diretoria atual, taxada de insossa, trouxe Maxi Lopez, Herrera e Alex Mineiro. Comprou Souza, trouxe Rochemback e Lúcio. Não deixou que Réver e Victor saíssem. Apostou e bateu pé querendo Autuori, um treinador com raro pedigree. É claro que queríamos mais, mas não se pode negar que, em meio a um tremendo esforço de equilíbrio de contas, os homens que comandam o futebol têm feito sua parte. Se os caras não correspondem em campo, ou na casamata, aí é outra questão. A folha salarial, antes tão distante daquela que o abastado co-irmão paga aos seus galácticos, já não deve ser assim tão pequena. Por isso, meus caros, não podemos não lutar pelo título. A vaga na Libertadores do próximo ano deve vir como consequência de um infortúnio na briga pelo título – tal como aconteceu em 2008.
A corda precisa ser esticada novamente. Nosso time está em dívida. Beliscar Brasileiros e Libertadores é bom. Melhor ainda é vencê-los e encorpar a maior galeria de troféus do Sul do Brasil. Para isso, será preciso mais do que nunca que o time incorpore a velha tradição gremista. Copero y peleador, alma castellana, imortalidade, chamem como quiser. Para mim, basta lembrar o que é a verdadeira cara do Grêmio. Apesar de alguns nomes mais técnicos, não somos uma equipe de toque de bola refinado ou cheia de frufrus. Autuori, que é um cara inteligente, precisa compreender isso o quanto antes. Vejam bem, não é a questão de ter um time recheado de brucutus ou que só faça chuveirinho na área adversária. Não é isso. É encarnar o espírito de que o jogo só acaba quando termina, com o perdão da redundância, e que não existe bola perdida. Até o Róger chinelinho, quem diria, captou essa mensagem, transmitida por ninguém melhor do que nós, o pessoal da arquibancada.
Contra o Botafogo, entregamos uma vitória na mão por ter desistido do jogo faltando mais de 15 minutos para o encerramento. Ontem, contra o Náutico, fizemos dois gols e desistimos de atacar no segundo tempo. Quando encaminha a vitória, este Grêmio de hoje se acomoda e acaba torturando nós, os torcedores, a única razão de viver de um clube de futebol. Mesmo aqui no Olímpico, enfiamos três no Galo e administramos no segundo tempo. Ora bolas, essa moleza não é típica desta plaga!
A corda, pelo que temos visto, não tem sido esticada. Parece que, muito mais do que sorte ou qualquer outra coisa, tem nos faltado dar aquele último pique. Por mais pastiche que pareça, nosso artilheiro é ninguém menos que Jonas. O que parecia heresia pouco tempo atrás, hoje é realidade: Jonas é fundamental para o Grêmio. O peor delantero del mundo é hoje artilheiro ao lado de Adriano Imperador. Jonas é ruim. Jonas é tosco. Jonas não sabe sequer comemorar os gols que faz. Mas o fato de fazê-los, de sacudir as redes, o coloca acima de todas as contestações. Jonas é o exemplo do que deve ser o Grêmio de agora em diante. Para ele, não tem bola perdida. De desacreditado a goleador, com direito a balãozinho dentro da área e tudo. Jonas entendeu o que é ter a corda esticada. Talvez seja porque ele já teve a mesma corda enrolada como uma serpente em seu pescoço. Que Jonas sirva de lição. Que a corda volte a ser esticada.
Atropelar o Fluminense, me voy.
Perder ou até mesmo empatar com o Náutico, aquele Náutico de craques do quilate de Kuki e Rudinei, seria vexatório. Fizemos, assim, nada mais que a obrigação. Obrigação que inclui agora uma vitória consistente contra o tísico Fluminense e uma sequência de boas partidas não só dentro como fora de casa. Não podemos nos contentar com menos. Daqui para frente, cada jogo deve ser encarado como o do título. Aquele papo da “corda esticada”, de esgotamento físico e outros que tais, precisa voltar urgentemente. Ano passado, lideramos grande parte do campeonato justamente porque estávamos com a tal “corda esticada”. Onde raios puseram a maldita corda?
Faz um bom tempo que já não somos um time de meros operários, como muito se dizia. Lembremos que a diretoria atual, taxada de insossa, trouxe Maxi Lopez, Herrera e Alex Mineiro. Comprou Souza, trouxe Rochemback e Lúcio. Não deixou que Réver e Victor saíssem. Apostou e bateu pé querendo Autuori, um treinador com raro pedigree. É claro que queríamos mais, mas não se pode negar que, em meio a um tremendo esforço de equilíbrio de contas, os homens que comandam o futebol têm feito sua parte. Se os caras não correspondem em campo, ou na casamata, aí é outra questão. A folha salarial, antes tão distante daquela que o abastado co-irmão paga aos seus galácticos, já não deve ser assim tão pequena. Por isso, meus caros, não podemos não lutar pelo título. A vaga na Libertadores do próximo ano deve vir como consequência de um infortúnio na briga pelo título – tal como aconteceu em 2008.
A corda precisa ser esticada novamente. Nosso time está em dívida. Beliscar Brasileiros e Libertadores é bom. Melhor ainda é vencê-los e encorpar a maior galeria de troféus do Sul do Brasil. Para isso, será preciso mais do que nunca que o time incorpore a velha tradição gremista. Copero y peleador, alma castellana, imortalidade, chamem como quiser. Para mim, basta lembrar o que é a verdadeira cara do Grêmio. Apesar de alguns nomes mais técnicos, não somos uma equipe de toque de bola refinado ou cheia de frufrus. Autuori, que é um cara inteligente, precisa compreender isso o quanto antes. Vejam bem, não é a questão de ter um time recheado de brucutus ou que só faça chuveirinho na área adversária. Não é isso. É encarnar o espírito de que o jogo só acaba quando termina, com o perdão da redundância, e que não existe bola perdida. Até o Róger chinelinho, quem diria, captou essa mensagem, transmitida por ninguém melhor do que nós, o pessoal da arquibancada.
Contra o Botafogo, entregamos uma vitória na mão por ter desistido do jogo faltando mais de 15 minutos para o encerramento. Ontem, contra o Náutico, fizemos dois gols e desistimos de atacar no segundo tempo. Quando encaminha a vitória, este Grêmio de hoje se acomoda e acaba torturando nós, os torcedores, a única razão de viver de um clube de futebol. Mesmo aqui no Olímpico, enfiamos três no Galo e administramos no segundo tempo. Ora bolas, essa moleza não é típica desta plaga!
A corda, pelo que temos visto, não tem sido esticada. Parece que, muito mais do que sorte ou qualquer outra coisa, tem nos faltado dar aquele último pique. Por mais pastiche que pareça, nosso artilheiro é ninguém menos que Jonas. O que parecia heresia pouco tempo atrás, hoje é realidade: Jonas é fundamental para o Grêmio. O peor delantero del mundo é hoje artilheiro ao lado de Adriano Imperador. Jonas é ruim. Jonas é tosco. Jonas não sabe sequer comemorar os gols que faz. Mas o fato de fazê-los, de sacudir as redes, o coloca acima de todas as contestações. Jonas é o exemplo do que deve ser o Grêmio de agora em diante. Para ele, não tem bola perdida. De desacreditado a goleador, com direito a balãozinho dentro da área e tudo. Jonas entendeu o que é ter a corda esticada. Talvez seja porque ele já teve a mesma corda enrolada como uma serpente em seu pescoço. Que Jonas sirva de lição. Que a corda volte a ser esticada.
Atropelar o Fluminense, me voy.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Lembrem-se dos Aflitos.
Por Silvio Pilau
A partida de domingo não será a primeira do Grêmio nos Aflitos após aquele dia inesquecível. O Tricolor já jogou outras vezes lá e, inclusive, voltou com vitória. Porém, este é o jogo mais importante do Grêmio no local desde que a canela de Galatto e a malícia de Anderson dobraram os deuses do futebol. Domingo, o Grêmio enfrenta mais um desafio nos Aflitos – um desafio que pode definir o ano gremista.
Acredito que não seja preciso escrever sobre o episódio único que ficou conhecido como “A Batalha dos Aflitos”. Longos e belos versos já foram erigidos em homenagem àquela data e àqueles heróis. Até hoje, os acontecimentos inexplicáveis e inacreditáveis daquele sábado servem de inspiração para mentes criativas e corações combalidos. Naqueles 71 segundos, o Grêmio mostrou que um clube de futebol pode ser mais do isso e escapou das páginas da história do futebol para adentrar com louvor nos documentos da eternidade.
Hoje, o Grêmio passa por mais um período de turbulência – apenas mais um nos últimos anos. Pela primeira vez, o trabalho do técnico Paulo Autuori começa a ser contestado com firmeza e a torcida percebe que sonhar mais alto é praticamente impossível neste ano. O empate com o Vitória em casa criou dúvidas sobre a até então irrepreensível campanha em casa, o que, somado ao pífio desempenho longe do Olímpico, enegreceu as esperanças da torcida.
Se o Grêmio pretende algo ainda este ano, seja uma vaga à Libertadores ou o distante título, tais pretensões passam pela partida de domingo. O destino do Grêmio, mais uma vez, passa pelo Náutico nos Aflitos. É o resultado desse jogo que mostrará se o Tricolor ainda tem forças para escalar a tabela ou se está esgotado e não mais se mexerá. A equipe tem consciência disso e vai em busca de uma compensação para o tropeço contra o Vitória. Mas somente isso não tem adiantado.
O que pode fazer a diferença é o próprio estádio. Os Aflitos. Naquela grama, a mesma grama onde o Grêmio assombrou o planeta, mora a história tricolor. Por isso, ela pode ser o peso ao nosso favor. A equipe do Náutico sabe a façanha que o Grêmio conseguiu lá. Os jogadores gremistas do grupo atual também. Para nós, é uma vantagem. Para eles, um peso que paira sobre suas cabeças. Depois daquele dia, o estádio não mais é a casa do Náutico, mas um memorial do Grêmio.
Claro que é um jogo em circunstâncias totalmente diferentes, mas é impossível não lembrar. Será impossível não se arrepiar ao ver o azul, o preto e o branco entrando no gramado para mais uma batalha nos Aflitos. Essa será a nossa motivação, nosso incentivo para a primeira vitória fora de casa. Que aquela conquista inesquecível sirva de inspiração aos atletas. Que o espírito guerreiro daquela data tome conta do sangue de nossos jogadores.
Que essa partida seja a grande virada. Como o foi naquele 26 de novembro.
A partida de domingo não será a primeira do Grêmio nos Aflitos após aquele dia inesquecível. O Tricolor já jogou outras vezes lá e, inclusive, voltou com vitória. Porém, este é o jogo mais importante do Grêmio no local desde que a canela de Galatto e a malícia de Anderson dobraram os deuses do futebol. Domingo, o Grêmio enfrenta mais um desafio nos Aflitos – um desafio que pode definir o ano gremista.
Acredito que não seja preciso escrever sobre o episódio único que ficou conhecido como “A Batalha dos Aflitos”. Longos e belos versos já foram erigidos em homenagem àquela data e àqueles heróis. Até hoje, os acontecimentos inexplicáveis e inacreditáveis daquele sábado servem de inspiração para mentes criativas e corações combalidos. Naqueles 71 segundos, o Grêmio mostrou que um clube de futebol pode ser mais do isso e escapou das páginas da história do futebol para adentrar com louvor nos documentos da eternidade.
Hoje, o Grêmio passa por mais um período de turbulência – apenas mais um nos últimos anos. Pela primeira vez, o trabalho do técnico Paulo Autuori começa a ser contestado com firmeza e a torcida percebe que sonhar mais alto é praticamente impossível neste ano. O empate com o Vitória em casa criou dúvidas sobre a até então irrepreensível campanha em casa, o que, somado ao pífio desempenho longe do Olímpico, enegreceu as esperanças da torcida.
Se o Grêmio pretende algo ainda este ano, seja uma vaga à Libertadores ou o distante título, tais pretensões passam pela partida de domingo. O destino do Grêmio, mais uma vez, passa pelo Náutico nos Aflitos. É o resultado desse jogo que mostrará se o Tricolor ainda tem forças para escalar a tabela ou se está esgotado e não mais se mexerá. A equipe tem consciência disso e vai em busca de uma compensação para o tropeço contra o Vitória. Mas somente isso não tem adiantado.
O que pode fazer a diferença é o próprio estádio. Os Aflitos. Naquela grama, a mesma grama onde o Grêmio assombrou o planeta, mora a história tricolor. Por isso, ela pode ser o peso ao nosso favor. A equipe do Náutico sabe a façanha que o Grêmio conseguiu lá. Os jogadores gremistas do grupo atual também. Para nós, é uma vantagem. Para eles, um peso que paira sobre suas cabeças. Depois daquele dia, o estádio não mais é a casa do Náutico, mas um memorial do Grêmio.
Claro que é um jogo em circunstâncias totalmente diferentes, mas é impossível não lembrar. Será impossível não se arrepiar ao ver o azul, o preto e o branco entrando no gramado para mais uma batalha nos Aflitos. Essa será a nossa motivação, nosso incentivo para a primeira vitória fora de casa. Que aquela conquista inesquecível sirva de inspiração aos atletas. Que o espírito guerreiro daquela data tome conta do sangue de nossos jogadores.
Que essa partida seja a grande virada. Como o foi naquele 26 de novembro.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Breves relatos de um gremista em Buenos Aires.
Por Cristiano Zanella
Aproveitando a promoção pague um, leve dois (com gripe suína grátis) da Aerolineas Argentinas, fomos passar o feriadão “en mi Buenos Aires querido, tierra florida, donde mi vida terminaré” (tema cantado em verso e prosa pelo imortal Carlos Gardel)! Entre os muitos aspectos que fazem o povo gaúcho sentir-se em casa na capital portenha estão a paixão pelo futebol e pela carne assada (onde quer que se ande, o futebol monopoliza as rodas de amigos, e o delicioso cheiro de graxa queimada impregna no ar). Mas, vamos aos fatos...
No primeiro dia, sexta-feira, andando pelo centro da cidade e arredores, chamou-me atenção o grande número de lojas de artigos esportivos que comercializam especialmente camisas de futebol. São milhares de camisas de times argentinos, brasileiros, europeus e de seleções: originais “de fábrica”, out-lets, réplicas de modelos antigos, falsificações grosseiras e honestas, de todas as cores, tamanhos, preços e etc. (vi um modelito 2008 da tricolor gremista exposto em uma vitrine “a la calle Florida”). Na busca por uma “retrô” do Racing Club de Avellaneda, acabei fazendo uma aquisição preciosa: a réplica da gloriosa camisa do San Lorenzo de Almagro (foto 1), um dos times mais queridos do futebol argentino (o detalhe é o patrocinador da equipe, a sexagenária fábrica de motos e ciclomotores Zanella). Fim de noite na pizzaria El Quartito, com suas paredes cobertas por posters e fotografias de futebol e boxe – clássico!
Já é sábado! Ricoleta, feira, cemitério, La Biela Café! Ao final da tarde, saio à cata de uma lan house para conferir o placar contra o Vitória (diga-se de passagem, tirando algumas peladas do Ruralzão, o primeiro jogo do Grêmio que perco no ano). Decepção: empate chorado, com sabor de vitória, sem Victor, Tcheco no banco, Mário Doril salvando uma bola já quase nas redes, golzito de Jonas. Pelas ruas da cidade, out-doors da Coca-Cola convocam os argentinos para o jogo de logo mais, com os dizeres “5 de setiembre, Argentina-Brasil: refresquemos el otimismo”. Entre uma Quilmes litro e uma empanada criolla (continuava a promoção pague um, leve dois, para a bebida, comida, roupas, etc), nos tocamos a pé rumo ao Puerto Madero, chegando em tempo de assistir o timeco argentino ser açoitado pela seleção canarinho. Num bar chamado Hooters (um dos menos refinados do Puerto, local fresco demais para chinelos da Osvaldo Aranha, acostumados a beber céva na Lancheria do Parque), hidratados por jarras de cerveja Isenbeck, testemunhamos mais uma derrota ao natural dos gringos ante nosso selecionado – desta vez, em casa. Sublime!
Domingo, 6 de setembro: La Boca y Caminito. Enquanto cumprimento Diego Armando Maradona, “El 10” (versão sarará crioulo, mais parecendo o Jairzinho – foto 2), pela derrota da noite anterior, centenas de turistas brasileiros invadem os principais pontos turísticos do bairro. Impressionante a paixão dos locais pelo Boca Jrs. Argentinos com os quais converso informalmente dirigem palavras de respeito e admiração ao Grêmio, e insultos impublicáveis ao nosso tradicional adversário! Mais além, já em San Telmo, pela janela de um tradicional café, observo um grupo de gremistas “pilchados” que passeiam pela feira de antiguidades, exibindo com orgulho a tricolor dos pampas (foto 3). Com o Grêmio onde o Grêmio estiver! Uma baita parilla pra fechar o último dia!
Independência ou morte! Segunda-feira, 7 de setembro, Aeroporto Internacional de Ezeiza. É hora de regressar à terra do melhor futebol do mundo. O vôo sai às 9:00hs, mas é preciso duas horas de antecedência para o check in. Virado, sem dinheiro, com a boca seca e a alma lavada, cruzo com centroavante gremista Maxi Lopez, que adquire bons vinhos no free shop próximo à área de embarque. Discreto e reservado, prontamente atende alguns torcedores para fotos e um breve papo:
- “Esperamos que vuelves logo a jugar”, digo à Maxi, num espanhol tosco.
- “Gracias”, responde, sem muito entusiasmo, o argentino.
A foto? Ficou meio fora de foco, nublada e com pouca definição (foto 4), como o futebol de Maxi (mas vale o registro). Deixa estar... a festa nunca termina! Neste fim de semana tem batalha nos Aflitos, e tudo volta ao normal! O Grêmio será novamente um guerreiro em terras estrangeiras, um legítimo representante do futebol dos pampas, orgulho do Rio Grande, do Brasil, do Mundo! Y no importa mas nada...
Dale Grêmio querido, dale Grêmio campéon, da Libertadores, e de Mundial!!!
Aproveitando a promoção pague um, leve dois (com gripe suína grátis) da Aerolineas Argentinas, fomos passar o feriadão “en mi Buenos Aires querido, tierra florida, donde mi vida terminaré” (tema cantado em verso e prosa pelo imortal Carlos Gardel)! Entre os muitos aspectos que fazem o povo gaúcho sentir-se em casa na capital portenha estão a paixão pelo futebol e pela carne assada (onde quer que se ande, o futebol monopoliza as rodas de amigos, e o delicioso cheiro de graxa queimada impregna no ar). Mas, vamos aos fatos...
No primeiro dia, sexta-feira, andando pelo centro da cidade e arredores, chamou-me atenção o grande número de lojas de artigos esportivos que comercializam especialmente camisas de futebol. São milhares de camisas de times argentinos, brasileiros, europeus e de seleções: originais “de fábrica”, out-lets, réplicas de modelos antigos, falsificações grosseiras e honestas, de todas as cores, tamanhos, preços e etc. (vi um modelito 2008 da tricolor gremista exposto em uma vitrine “a la calle Florida”). Na busca por uma “retrô” do Racing Club de Avellaneda, acabei fazendo uma aquisição preciosa: a réplica da gloriosa camisa do San Lorenzo de Almagro (foto 1), um dos times mais queridos do futebol argentino (o detalhe é o patrocinador da equipe, a sexagenária fábrica de motos e ciclomotores Zanella). Fim de noite na pizzaria El Quartito, com suas paredes cobertas por posters e fotografias de futebol e boxe – clássico!
Já é sábado! Ricoleta, feira, cemitério, La Biela Café! Ao final da tarde, saio à cata de uma lan house para conferir o placar contra o Vitória (diga-se de passagem, tirando algumas peladas do Ruralzão, o primeiro jogo do Grêmio que perco no ano). Decepção: empate chorado, com sabor de vitória, sem Victor, Tcheco no banco, Mário Doril salvando uma bola já quase nas redes, golzito de Jonas. Pelas ruas da cidade, out-doors da Coca-Cola convocam os argentinos para o jogo de logo mais, com os dizeres “5 de setiembre, Argentina-Brasil: refresquemos el otimismo”. Entre uma Quilmes litro e uma empanada criolla (continuava a promoção pague um, leve dois, para a bebida, comida, roupas, etc), nos tocamos a pé rumo ao Puerto Madero, chegando em tempo de assistir o timeco argentino ser açoitado pela seleção canarinho. Num bar chamado Hooters (um dos menos refinados do Puerto, local fresco demais para chinelos da Osvaldo Aranha, acostumados a beber céva na Lancheria do Parque), hidratados por jarras de cerveja Isenbeck, testemunhamos mais uma derrota ao natural dos gringos ante nosso selecionado – desta vez, em casa. Sublime!
Domingo, 6 de setembro: La Boca y Caminito. Enquanto cumprimento Diego Armando Maradona, “El 10” (versão sarará crioulo, mais parecendo o Jairzinho – foto 2), pela derrota da noite anterior, centenas de turistas brasileiros invadem os principais pontos turísticos do bairro. Impressionante a paixão dos locais pelo Boca Jrs. Argentinos com os quais converso informalmente dirigem palavras de respeito e admiração ao Grêmio, e insultos impublicáveis ao nosso tradicional adversário! Mais além, já em San Telmo, pela janela de um tradicional café, observo um grupo de gremistas “pilchados” que passeiam pela feira de antiguidades, exibindo com orgulho a tricolor dos pampas (foto 3). Com o Grêmio onde o Grêmio estiver! Uma baita parilla pra fechar o último dia!
Independência ou morte! Segunda-feira, 7 de setembro, Aeroporto Internacional de Ezeiza. É hora de regressar à terra do melhor futebol do mundo. O vôo sai às 9:00hs, mas é preciso duas horas de antecedência para o check in. Virado, sem dinheiro, com a boca seca e a alma lavada, cruzo com centroavante gremista Maxi Lopez, que adquire bons vinhos no free shop próximo à área de embarque. Discreto e reservado, prontamente atende alguns torcedores para fotos e um breve papo:
- “Esperamos que vuelves logo a jugar”, digo à Maxi, num espanhol tosco.
- “Gracias”, responde, sem muito entusiasmo, o argentino.
A foto? Ficou meio fora de foco, nublada e com pouca definição (foto 4), como o futebol de Maxi (mas vale o registro). Deixa estar... a festa nunca termina! Neste fim de semana tem batalha nos Aflitos, e tudo volta ao normal! O Grêmio será novamente um guerreiro em terras estrangeiras, um legítimo representante do futebol dos pampas, orgulho do Rio Grande, do Brasil, do Mundo! Y no importa mas nada...
Dale Grêmio querido, dale Grêmio campéon, da Libertadores, e de Mundial!!!
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