Por Felipe Sandrin
Pouco espero do Grêmio senão entrega total para o jogo contra o Palmeiras. Será mais uma partida decisiva, a chance perfeita para afastar as críticas ou assumir de vez que a precariedade da equipe é mais do que técnica.
Sinceramente? Prevejo uma derrota. Obviamente, não há desejo, mas prefiro ser franco comigo mesmo, não criar ilusórias esperanças de que a equipe finalmente crescerá em um jogo tão importante. Por várias vezes neste ano confiei no Grêmio, porém o elenco não se ajuda, a fama do Celso amarelão parece chegar a seu apogeu: já perdeu tanto que não há mais nada para perder.
Estou tentando ser o mais negativo possível quanto a este final de campeonato. O Grêmio que poucos acreditavam era o Grêmio de verdade: tínhamos pegada; se preciso fosse, dar-se-ia a vida por uma vitória. Por tanto tentarei contaminar minhas idéias com o time medíocre e incompetente que falávamos ter. Irei sobrecarregar minha cabeça com pensamentos negativos.
Não se enganem aqueles que pensam que eu desisti. Estou mais vivo do que nunca, forte como sempre. Sou gremista e sei que da adversidade crescemos. O discurso não faz o caráter; a decisão deste domingo, sim.
Se eu não acreditar no time que torço, quem fará isso por mim?
Ganhas ou perca, te sigo aonde for.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
A ESSÊNCIA DE UM CAMPEÃO
Por Silvio Pilau
Muitos já devem assistido o comercial "Hitler", da Folha de São Paulo. Caso não, procurem no Youtube. A peça trazia um conceito impecável: o de que, mesmo sem contar uma inverdade, é possível levar o leitor a ter uma interpretação errada sobre determinado assunto. Hitler, de fato, fez renascer a Alemanha. Foi um grande líder, que reergueu um país em frangalhos após a Primeira Guerra Mundial. Mas o texto omitia o fato de que o Führer era um genocida, responsável direto pelo extermínio de seis milhões de pessoas apenas nos campos de concentração. Dizia somente a verdade, mas, ainda assim, construía uma imagem mentirosa de Hitler.
E isto é mais do que comum nos dias de hoje. Recentemente, como já escrevi aqui, passei por um caso desses. Um grande amigo meu envolveu-se em grave confusão na Indonésia. Lendo as primeiras notícias sobre o caso, eu tinha dificuldades em colocar o jovem que eu conhecia como causador dos incidentes. E os comentários das pessoas somente aumentavam minha confusão. Para eles, que apenas liam as reportagens, quem realizara aquilo era um monstro, um irresponsável que atravessou o mundo para destruir famílias. Para mim, era um irmão, uma pessoa a quem eu confiaria minha vida e a vida de minha família, pagando caro por um deslize.
O ditado de que existem dois lados para todo tipo de assunto é verdade. A frase de Nelson Rodrigues sobre a unanimidade ser burra também. Meu amigo cometeu um erro, sim, mas um erro que qualquer um de nós poderia cometer. Por acaso, eu seria um monstro se, em um acidente, tirasse a vida de alguém? Se cometesse um crime em caso de necessidade, seria eu um marginal? E quantos destes "marginais" não erraram simplesmente em função de desespero? A pessoa que fui até o momento merece ser esquecida? As amizades que fiz? Os conselhos que dei? Os relacionamentos que construí? Os abraços que ofereci?
Quanto, afinal, sabemos sobre uma pessoa? Homem algum cabe em apenas uma definição.
E é exatamente por isso que não entro na onda dos xingam os jogadores gremistas neste momento. Já são vários que entraram nesse coral. Dizem que falta vontade à equipe. Dizem que são um bando de mercenários, nada preocupados se a equipe conquista ou não o título. Uma multidão de gremistas está indignada com a postura do time na reta final do campeonato. Para eles, os jogadores não possuem a atitude necessária para jogar em uma equipe do nível do Grêmio. Os atletas são xingados de displicentes, descompromissados e indignos de vestir a camisa imortal.
Não me juntei a essas vozes. Ainda. E meu motivo é simplesmente este que escrevi no longo início desse texto: não posso afirmar algo que não sei se é verdade. Aprendi isso de vez nos últimos meses. Não conheço qualquer dos jogadores pessoalmente. Nunca conversei ou convivi com eles. Não conheço suas personalidades, seus hábitos, sua força diante das adversidades. Não sei o quanto eles sofreram para chegar a uma equipe da grandeza do Grêmio. Até onde sei, podem ser verdadeiros leões, honrosos imortais, esperando por uma chance de despertar esse lado vencedor.
Pois essa chance chegou. E por isso ainda não os julguei. Porque eles ainda podem provar que são vencedores. Ainda faltam cinco rodadas para o final do campeonato e estamos apenas dois pontos atrás do líder. Dois pontos. É pouco, muito pouco. A vantagem é fácil de ser tirada. Mas, para isso, dependemos dos jogadores. Precisamos deles. Este é meu apelo. Para que abraçarem de peito aberto esta oportunidade de provação que estão tendo. Para que mostrem que estou certo ao não pré-julgar e dar-lhes nova chance.
Mostrem-me isso. Contradigam os gremistas mais céticos. Entrem em campo com o sangue fervendo, com a indignação face à derrota exposta em cada poro do rosto. Pisem no gramado pensando que a vida de vocês depende unicamente da vitória. Provem que existe dentro de vocês a fibra da coragem, a iniciativa da liderança e a capacidade de superação. Demonstrem caráter, integridade e sacrifício na atitude de não deixar outro time levar este título. Exibam honra e hombridade.
É disso que são feitos os verdadeiros campeões.
Muitos já devem assistido o comercial "Hitler", da Folha de São Paulo. Caso não, procurem no Youtube. A peça trazia um conceito impecável: o de que, mesmo sem contar uma inverdade, é possível levar o leitor a ter uma interpretação errada sobre determinado assunto. Hitler, de fato, fez renascer a Alemanha. Foi um grande líder, que reergueu um país em frangalhos após a Primeira Guerra Mundial. Mas o texto omitia o fato de que o Führer era um genocida, responsável direto pelo extermínio de seis milhões de pessoas apenas nos campos de concentração. Dizia somente a verdade, mas, ainda assim, construía uma imagem mentirosa de Hitler.
E isto é mais do que comum nos dias de hoje. Recentemente, como já escrevi aqui, passei por um caso desses. Um grande amigo meu envolveu-se em grave confusão na Indonésia. Lendo as primeiras notícias sobre o caso, eu tinha dificuldades em colocar o jovem que eu conhecia como causador dos incidentes. E os comentários das pessoas somente aumentavam minha confusão. Para eles, que apenas liam as reportagens, quem realizara aquilo era um monstro, um irresponsável que atravessou o mundo para destruir famílias. Para mim, era um irmão, uma pessoa a quem eu confiaria minha vida e a vida de minha família, pagando caro por um deslize.
O ditado de que existem dois lados para todo tipo de assunto é verdade. A frase de Nelson Rodrigues sobre a unanimidade ser burra também. Meu amigo cometeu um erro, sim, mas um erro que qualquer um de nós poderia cometer. Por acaso, eu seria um monstro se, em um acidente, tirasse a vida de alguém? Se cometesse um crime em caso de necessidade, seria eu um marginal? E quantos destes "marginais" não erraram simplesmente em função de desespero? A pessoa que fui até o momento merece ser esquecida? As amizades que fiz? Os conselhos que dei? Os relacionamentos que construí? Os abraços que ofereci?
Quanto, afinal, sabemos sobre uma pessoa? Homem algum cabe em apenas uma definição.
E é exatamente por isso que não entro na onda dos xingam os jogadores gremistas neste momento. Já são vários que entraram nesse coral. Dizem que falta vontade à equipe. Dizem que são um bando de mercenários, nada preocupados se a equipe conquista ou não o título. Uma multidão de gremistas está indignada com a postura do time na reta final do campeonato. Para eles, os jogadores não possuem a atitude necessária para jogar em uma equipe do nível do Grêmio. Os atletas são xingados de displicentes, descompromissados e indignos de vestir a camisa imortal.
Não me juntei a essas vozes. Ainda. E meu motivo é simplesmente este que escrevi no longo início desse texto: não posso afirmar algo que não sei se é verdade. Aprendi isso de vez nos últimos meses. Não conheço qualquer dos jogadores pessoalmente. Nunca conversei ou convivi com eles. Não conheço suas personalidades, seus hábitos, sua força diante das adversidades. Não sei o quanto eles sofreram para chegar a uma equipe da grandeza do Grêmio. Até onde sei, podem ser verdadeiros leões, honrosos imortais, esperando por uma chance de despertar esse lado vencedor.
Pois essa chance chegou. E por isso ainda não os julguei. Porque eles ainda podem provar que são vencedores. Ainda faltam cinco rodadas para o final do campeonato e estamos apenas dois pontos atrás do líder. Dois pontos. É pouco, muito pouco. A vantagem é fácil de ser tirada. Mas, para isso, dependemos dos jogadores. Precisamos deles. Este é meu apelo. Para que abraçarem de peito aberto esta oportunidade de provação que estão tendo. Para que mostrem que estou certo ao não pré-julgar e dar-lhes nova chance.
Mostrem-me isso. Contradigam os gremistas mais céticos. Entrem em campo com o sangue fervendo, com a indignação face à derrota exposta em cada poro do rosto. Pisem no gramado pensando que a vida de vocês depende unicamente da vitória. Provem que existe dentro de vocês a fibra da coragem, a iniciativa da liderança e a capacidade de superação. Demonstrem caráter, integridade e sacrifício na atitude de não deixar outro time levar este título. Exibam honra e hombridade.
É disso que são feitos os verdadeiros campeões.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
HOMENS E RATOS
Por Felipe Sandrin
Celso fez milagre com o grupo gremista. Elenco limitado e pressão continua fazem ser uma surpresa a colocação tricolor dentro do Campeonato Brasileiro. Porém, como já disse anteriormente: Roth não é Felipão.
Felipão consegue extrair o máximo de cada jogador. Roth também. Felipão consegue motivar o grupo com seu jeito carrancudo, consegue transpor humildade a aqueles que o seguem. Roth também. Felipão é sujeito simples, de boa índole e que trata as pessoas pelo que são, e não pelo que elas têm. Roth também: sim, Roth e Felipão são parecidos em vários aspectos, mas Roth não tem a estrela de Felipão.
Quando falo de estrela, cito Felipão, mas poderia citar a vários outros. Luxemburgo, por exemplo, que diante do Santos mais uma vez mostrou seu brilho quando pôs Leo Lima em campo e o mesmo deu a vitória ao Palmeiras. É mais fácil o Sargento Garcia prender o Zorro que Celso conseguir algo assim. Lembram a fama de amarelão? Pois é, ele suou pra conseguir, nadou e morreu em várias praias. Pode ele ganhar o Brasileirão que não mudo de opinião: LUGAR DE AMARELÃO NÃO É NA LIBERTADORES.
Falta gaúcho nesse time, é muito jogador de todos os cantos do país. Falta raça, ímpeto e alguém que mostre a esses caras o que é o sangue platino: onde já se viu? Estávamos perdendo o jogo e os jogadores do nosso time caindo dentro de campo, pedindo maca porque tinham tomado pancadinha.
Falta de qualidade se cura com vontade e garra. Ta na hora de tomar vergonha na cara, separar homens de ratos, fracos e fortes. Gremistas e interesseiros. Porque perder ou ganhar é do jogo, mas tirar o pé é pra covarde.
ISSO AQUI É O GRÊMIO, PORRA!
Celso fez milagre com o grupo gremista. Elenco limitado e pressão continua fazem ser uma surpresa a colocação tricolor dentro do Campeonato Brasileiro. Porém, como já disse anteriormente: Roth não é Felipão.
Felipão consegue extrair o máximo de cada jogador. Roth também. Felipão consegue motivar o grupo com seu jeito carrancudo, consegue transpor humildade a aqueles que o seguem. Roth também. Felipão é sujeito simples, de boa índole e que trata as pessoas pelo que são, e não pelo que elas têm. Roth também: sim, Roth e Felipão são parecidos em vários aspectos, mas Roth não tem a estrela de Felipão.
Quando falo de estrela, cito Felipão, mas poderia citar a vários outros. Luxemburgo, por exemplo, que diante do Santos mais uma vez mostrou seu brilho quando pôs Leo Lima em campo e o mesmo deu a vitória ao Palmeiras. É mais fácil o Sargento Garcia prender o Zorro que Celso conseguir algo assim. Lembram a fama de amarelão? Pois é, ele suou pra conseguir, nadou e morreu em várias praias. Pode ele ganhar o Brasileirão que não mudo de opinião: LUGAR DE AMARELÃO NÃO É NA LIBERTADORES.
Falta gaúcho nesse time, é muito jogador de todos os cantos do país. Falta raça, ímpeto e alguém que mostre a esses caras o que é o sangue platino: onde já se viu? Estávamos perdendo o jogo e os jogadores do nosso time caindo dentro de campo, pedindo maca porque tinham tomado pancadinha.
Falta de qualidade se cura com vontade e garra. Ta na hora de tomar vergonha na cara, separar homens de ratos, fracos e fortes. Gremistas e interesseiros. Porque perder ou ganhar é do jogo, mas tirar o pé é pra covarde.
ISSO AQUI É O GRÊMIO, PORRA!
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
A REALIDADE DÓI
Por Silvio Pilau
O que houve com o Grêmio? Essa é a grande dúvida do momento, não somente na cabeça dos gremistas, mas de todos que acompanham o futebol. A equipe liderou o campeonato por quase a metade das rodadas, somou incrível número de pontos no primeiro turno e apareceu, surpreendentemente, como um time forte e candidato ao título. Sem alarde, sem estrelas, sem glamour, chegou a abrir boa vantagem em relação ao segundo colocado, despertando na torcida o sonho do tri.
No entanto, veio o segundo turno. Veio a queda. Queda de posições, queda de rendimento, queda de qualidade. O Grêmio simplesmente parou. Começou a encontrar dificuldades inexistentes para jogos no Olímpico e praticamente desistiu de jogar fora de casa. Os pontos e as vitórias que vieram foram, em sua maioria, resultados únicos de esforço e dedicação. Vieram pela camiseta, pela torcida e pela falta de qualidade dos adversários. O Grêmio começou a perder para si mesmo.
Este cenário, porém, é ilusão. As coisas não aconteceram exatamente dessa forma. O campeonato tricolor não foi tão preto e branco assim, com um primeiro turno brilhante e um segundo a ser esquecido. Isso é a imagem que temos graças aos resultados. As vitórias e os pontos somados na primeira metade do torneio colocaram uma máscara sobre como realmente é a equipe. Estivemos, todos, cegos. Estivemos tão deslumbrados com a possibilidade de mais uma glória que esquecemos um detalhe: o desempenho atual faz jus à equipe que temos. O engano foi o primeiro turno.
E afirmo isso com certa autoridade. Lembro de dois textos que escrevi há alguns meses. O primeiro foi, se não estou enganado, após o empate contra o Sport na Ilha do Retiro, ainda no primeiro turno. Comentei que a atuação havia sido lamentável e que o Grêmio já não jogava bem havia algumas rodadas. Repito: o Grêmio não jogava bem havia algumas rodadas. Apesar dos pontos somados e das vitórias, as atuações ainda deixavam a desejar. O que o Grêmio tinha ali era algo que falta atualmente: um pouco de sorte.
Outro texto que escrevi tinha o nome “Sorte de campeão”. Disse que tínhamos motivos para acreditar na conquista porque tudo dava certo para o Grêmio. Os astros estavam alinhados. Ganhávamos partidas por detalhes, os adversários derrapavam quanto tropeçávamos e mantínhamos a liderança mesmo sem encher os olhos. A sorte estava ao nosso lado. Vinha, claro, junto do trabalho e do esforço, mas ela existia e fazia a diferença ao nosso favor.
Infelizmente, agora não acontece isso. Demos de cara com a realidade e ela dói. As deficiências técnicas da equipe saltaram aos olhos. Os problemas vieram (lesões, cartões) e as boas atuações começaram a ficar ainda mais raras. O pior? Os pontos também vieram em menor quantidade. Mas não foi de uma hora para outra. O Grêmio ainda é a mesma equipe do primeiro turno. Os jogadores não são piores, o técnico não é mais burro e a torcida não apóia menos. A mesa simplesmente virou. A sorte que estava ao nosso lado parece ter feito as malas e partido.
Por isso, será muito difícil. Será quase impossível. Para o decisivo duelo contra o Palmeiras, temos um incrível número de desfalques. No entanto, ainda acredito. Ainda acho que podemos e iremos ser campeões. Ainda tenho a esperança de que terminaremos o campeonato no lugar mais alto. Chamem-me de louco, de sonhador, de cego. Chamem-me de burro, de ingênuo, de tolo.
Ou me chamem, apenas, de gremista.
O que houve com o Grêmio? Essa é a grande dúvida do momento, não somente na cabeça dos gremistas, mas de todos que acompanham o futebol. A equipe liderou o campeonato por quase a metade das rodadas, somou incrível número de pontos no primeiro turno e apareceu, surpreendentemente, como um time forte e candidato ao título. Sem alarde, sem estrelas, sem glamour, chegou a abrir boa vantagem em relação ao segundo colocado, despertando na torcida o sonho do tri.
No entanto, veio o segundo turno. Veio a queda. Queda de posições, queda de rendimento, queda de qualidade. O Grêmio simplesmente parou. Começou a encontrar dificuldades inexistentes para jogos no Olímpico e praticamente desistiu de jogar fora de casa. Os pontos e as vitórias que vieram foram, em sua maioria, resultados únicos de esforço e dedicação. Vieram pela camiseta, pela torcida e pela falta de qualidade dos adversários. O Grêmio começou a perder para si mesmo.
Este cenário, porém, é ilusão. As coisas não aconteceram exatamente dessa forma. O campeonato tricolor não foi tão preto e branco assim, com um primeiro turno brilhante e um segundo a ser esquecido. Isso é a imagem que temos graças aos resultados. As vitórias e os pontos somados na primeira metade do torneio colocaram uma máscara sobre como realmente é a equipe. Estivemos, todos, cegos. Estivemos tão deslumbrados com a possibilidade de mais uma glória que esquecemos um detalhe: o desempenho atual faz jus à equipe que temos. O engano foi o primeiro turno.
E afirmo isso com certa autoridade. Lembro de dois textos que escrevi há alguns meses. O primeiro foi, se não estou enganado, após o empate contra o Sport na Ilha do Retiro, ainda no primeiro turno. Comentei que a atuação havia sido lamentável e que o Grêmio já não jogava bem havia algumas rodadas. Repito: o Grêmio não jogava bem havia algumas rodadas. Apesar dos pontos somados e das vitórias, as atuações ainda deixavam a desejar. O que o Grêmio tinha ali era algo que falta atualmente: um pouco de sorte.
Outro texto que escrevi tinha o nome “Sorte de campeão”. Disse que tínhamos motivos para acreditar na conquista porque tudo dava certo para o Grêmio. Os astros estavam alinhados. Ganhávamos partidas por detalhes, os adversários derrapavam quanto tropeçávamos e mantínhamos a liderança mesmo sem encher os olhos. A sorte estava ao nosso lado. Vinha, claro, junto do trabalho e do esforço, mas ela existia e fazia a diferença ao nosso favor.
Infelizmente, agora não acontece isso. Demos de cara com a realidade e ela dói. As deficiências técnicas da equipe saltaram aos olhos. Os problemas vieram (lesões, cartões) e as boas atuações começaram a ficar ainda mais raras. O pior? Os pontos também vieram em menor quantidade. Mas não foi de uma hora para outra. O Grêmio ainda é a mesma equipe do primeiro turno. Os jogadores não são piores, o técnico não é mais burro e a torcida não apóia menos. A mesa simplesmente virou. A sorte que estava ao nosso lado parece ter feito as malas e partido.
Por isso, será muito difícil. Será quase impossível. Para o decisivo duelo contra o Palmeiras, temos um incrível número de desfalques. No entanto, ainda acredito. Ainda acho que podemos e iremos ser campeões. Ainda tenho a esperança de que terminaremos o campeonato no lugar mais alto. Chamem-me de louco, de sonhador, de cego. Chamem-me de burro, de ingênuo, de tolo.
Ou me chamem, apenas, de gremista.
domingo, 2 de novembro de 2008
UMA PAIXÃO
Por Eder Fischer
O Grêmio tem que jogar no 3-5-2, com Paulo Sérgio na ala direita, e recuperar junto ao esquema que nos fez campeões do primeiro turno, a raça.
Desculpe a brevidade do assunto futebol no momento mais importante e angustiante do campeonato. Hoje, gostaria da ajuda de vocês no assunto paixão.
Nessa. Nenessa, Nenessinha. Era difícil chamá-la pelo nome que estava registrado em sua carteira de identidade, Vanessa Alcides Brasil. Lembro-me da primeira vez que a vi entrar na sala onde trabalhava. Era a última palavra da engenharia do design anatômico: compacta, atraente e funcional. Seus cabelos levemente ondulados desciam suaves e castanhos até alcançarem seus ombros, formavam a moldura perfeita para o seu rosto. Seu rosto, ah... Seu rosto, rosto de boneca. Bochechas redondas e coradas. Delicado e sutil, permitia-se ser redescoberto com uma beleza espantosa a cada ângulo diferente em que era admirado, não era um rosto comum com linhas básicas, do tipo, bonito, mais sem sal.
Era expressivo. Tinha muitas linhas e curvas, que no conjunto da obra se encaixavam harmoniosamente, como o Grêmio do Felipão. Não existia um ângulo ruim, uma luz ruim ou uma maquiagem ruim. Apesar de achar um sacrilégio colocar maquiagem naquele rosto. Nenhuma Helena Rubinstein sairia impune ao tentar realçar aquela obra. Não estou exagerando, nada poderia estragar aquela beleza.
Certa vez, ela estava gripada, riamos muito, e uma leve coriza translúcida escorreu de sua narina direita. Em qualquer outra mulher, aquilo seria um ranho, mas nela era como uma gota de orvalho pingando da ponta de um lírio. Logo abaixo de suas sobrancelhas bem desenhadas, estavam dois olhos castanhos que se prolongavam através de cílios negros que quase ultrapassavam a fronteira de seu rosto, separando os olhos, um pequeno nariz pouco arrebitado, logo abaixo do nariz e logo acima do queixo, que era levemente saliente, ficava a estrela do filme, a boca. Que podia dar ordens sem falar; que levaria qualquer homem a loucura em dois segundos, com um simples passar de língua no lábio superior; que implorava com um beicinho.
Muitas vezes, me perdi em pensamentos, olhando para ela. O alicerce de tudo isso, o pescoço, que apesar de tamanha responsabilidade, roubava a cena quando o pobre cabelo estava preso.
Por favor, façam este pequeno exercício: ponham as palmas das mãos abertas para frente. Fechem as duas mãos em forma de conchas. Agora afaste os dedos o máximo que puderem tentando não perder o formato de concha. O espaço interno é o volume que os seus seios ocupam. Se Isaac Newton os observasse, a lei da gravidade jamais existiria. A barriga era perfeita. Nela, havia cavas laterais que, juntas, formavam um “V”; arrastando os olhos até abaixo da linha do cós generoso de suas calças, onde supostamente as linhas do “V” se encontravam, coxas torneadas. Os glúteos lembravam um coração de cabeça para baixo. Tudo que qualquer homem precisa em um espaço de 1 metro e 60 centímetros.
Ela atravessou a sala, levando um papel qualquer a sua mão e, junto com ele, os olhares canibais dos homens que ali estavam. As mulheres olhavam-na com um desdém assassino.
No início, desejei-a instantaneamente ao mesmo tempo em que tratei de me convencer de que ela não era para o meu bico: já havia conseguido pegar outras no mesmo nível, mas a fase não era boa, tratei de esquecer. O tempo passou e fomos nos aproximando, nos tornamos amigos. Sabia que ela gostava de mim, não até que ponto, mas gostávamos de conversar no MSN, almoçar juntos e sentarmos após o almoço esperando o horário de começar o trabalho novamente.
Ríamos juntos. Se ela fosse homem, seríamos grandes amigos. Mas, graças a Deus, ela não era homem. Muito longe disso. Comecei a experimentar seus limites, sempre com sucesso, até que, semana passada recebemos a notícia da festa da empresa, que vai ser dia sete de dezembro. Dois segundos depois, recebi um e-mail. Era ela: “Tu vai para me fazer Campânia, né?”
Apesar de estar tudo se encaminhando para uma noite inesquecível no dia da festa, tenho medo de me iludir , de acreditar que dá, de dar o campeonato, digo, o caso, como certo, e na hora “H” receber aquela resposta clichê das mulheres. “Desculpa... somos muito amigos para termos algo a mais”. E ao mesmo tempo, sei que, se não acreditar e me entregar de corpo e alma para esta paixão, não conseguirei nada. Que dilema! Por isso, peço a ajuda de vocês: investir, alentar e acreditar é o único jeito de conquistá-la. Pode ser que não dê certo, e a queda junto com a corneta dos colegas por um fracasso no outro dia seria quase insuportável. Por outro lado, e este é o lado seguro, ficarei na minha, esperando e dando como impossível este caso. Se acontecer? Ótimo! Se não? Ao menos ninguém vai poder falar que eu fracassei.
Neste caso, só há uma certeza. Dia sete de dezembro, alguém irá tê-la em seus braços, ela já avisou que gostaria de uma companhia. Se não for eu, alguém vai se dar bem. Faltando pouco tempo para a festa, um tal de Paulo do financeiro, que é um grande concorrente, mas que não apresentava nenhum risco, começou a chegar como quem não quer nada e, quarta-feira passada, quando sai de perto dela por quatorze segundos, lá estava ele, de gracejos para cima da moça.
Tem também um mineirinho, come-quieto, um carioca e outro paulista, rondando aqueles 1,60m de perdição.
Mas já me decidi. Comecei o ano sem expectativas, a conquistei em parte. Fui sempre o primeiro em sua preferência. Não vai ser agora que vou me entregar. Não sei o que vocês fariam, mas eu, amanhã, estarei lá, na quina do estádio, junto a melhor torcida do Brasil e do mundo, investindo de corpo e alma para que tenhamos um final feliz, prefiro me arrepender por me iludir demais do que por não tentar.
O mais engraçado é que, ao meu lado, senta um colega marrento, o Gigante, que, apesar de se vangloriar do apelido, o chamamos ironicamente assim por ele ser baixinho. Assim que viu a Nessa, me disse: “esta aí já ta no papo.”
Andou ganhando uma promoção há dois anos. Ele tem grana, é apresentável, mas se esqueceu que, antes disso, ele era o desconhecido responsável pela manutenção e serviços gerais da empresa. Conseguia alguns simpatizantes, apenas, pela sua humildade (a mim, ele nunca enganou). E agora anda dizendo que é melhor que todo mundo. Resultado: Já tomou nos dedos várias vezes da moça. Com ela, não tem mais chance nenhuma. Mas o cara não baixa a crista. Outro dia, pegando um cafezinho, o ouvi falando que ia pegar uma castelhana de segunda, a Sula, que trabalha no almoxarifado. E não é que ele ainda se vangloriava: “Ta vendo a Sula? Eu vou ser o primeiro da empresa a dar um trato nela.”
Coitado, mal sabe ele que o assistente Júnior da diretoria, o qual apelidamos de Boca, também ta louco pra se dar bem com a moça.
O Grêmio tem que jogar no 3-5-2, com Paulo Sérgio na ala direita, e recuperar junto ao esquema que nos fez campeões do primeiro turno, a raça.
Desculpe a brevidade do assunto futebol no momento mais importante e angustiante do campeonato. Hoje, gostaria da ajuda de vocês no assunto paixão.
Nessa. Nenessa, Nenessinha. Era difícil chamá-la pelo nome que estava registrado em sua carteira de identidade, Vanessa Alcides Brasil. Lembro-me da primeira vez que a vi entrar na sala onde trabalhava. Era a última palavra da engenharia do design anatômico: compacta, atraente e funcional. Seus cabelos levemente ondulados desciam suaves e castanhos até alcançarem seus ombros, formavam a moldura perfeita para o seu rosto. Seu rosto, ah... Seu rosto, rosto de boneca. Bochechas redondas e coradas. Delicado e sutil, permitia-se ser redescoberto com uma beleza espantosa a cada ângulo diferente em que era admirado, não era um rosto comum com linhas básicas, do tipo, bonito, mais sem sal.
Era expressivo. Tinha muitas linhas e curvas, que no conjunto da obra se encaixavam harmoniosamente, como o Grêmio do Felipão. Não existia um ângulo ruim, uma luz ruim ou uma maquiagem ruim. Apesar de achar um sacrilégio colocar maquiagem naquele rosto. Nenhuma Helena Rubinstein sairia impune ao tentar realçar aquela obra. Não estou exagerando, nada poderia estragar aquela beleza.
Certa vez, ela estava gripada, riamos muito, e uma leve coriza translúcida escorreu de sua narina direita. Em qualquer outra mulher, aquilo seria um ranho, mas nela era como uma gota de orvalho pingando da ponta de um lírio. Logo abaixo de suas sobrancelhas bem desenhadas, estavam dois olhos castanhos que se prolongavam através de cílios negros que quase ultrapassavam a fronteira de seu rosto, separando os olhos, um pequeno nariz pouco arrebitado, logo abaixo do nariz e logo acima do queixo, que era levemente saliente, ficava a estrela do filme, a boca. Que podia dar ordens sem falar; que levaria qualquer homem a loucura em dois segundos, com um simples passar de língua no lábio superior; que implorava com um beicinho.
Muitas vezes, me perdi em pensamentos, olhando para ela. O alicerce de tudo isso, o pescoço, que apesar de tamanha responsabilidade, roubava a cena quando o pobre cabelo estava preso.
Por favor, façam este pequeno exercício: ponham as palmas das mãos abertas para frente. Fechem as duas mãos em forma de conchas. Agora afaste os dedos o máximo que puderem tentando não perder o formato de concha. O espaço interno é o volume que os seus seios ocupam. Se Isaac Newton os observasse, a lei da gravidade jamais existiria. A barriga era perfeita. Nela, havia cavas laterais que, juntas, formavam um “V”; arrastando os olhos até abaixo da linha do cós generoso de suas calças, onde supostamente as linhas do “V” se encontravam, coxas torneadas. Os glúteos lembravam um coração de cabeça para baixo. Tudo que qualquer homem precisa em um espaço de 1 metro e 60 centímetros.
Ela atravessou a sala, levando um papel qualquer a sua mão e, junto com ele, os olhares canibais dos homens que ali estavam. As mulheres olhavam-na com um desdém assassino.
No início, desejei-a instantaneamente ao mesmo tempo em que tratei de me convencer de que ela não era para o meu bico: já havia conseguido pegar outras no mesmo nível, mas a fase não era boa, tratei de esquecer. O tempo passou e fomos nos aproximando, nos tornamos amigos. Sabia que ela gostava de mim, não até que ponto, mas gostávamos de conversar no MSN, almoçar juntos e sentarmos após o almoço esperando o horário de começar o trabalho novamente.
Ríamos juntos. Se ela fosse homem, seríamos grandes amigos. Mas, graças a Deus, ela não era homem. Muito longe disso. Comecei a experimentar seus limites, sempre com sucesso, até que, semana passada recebemos a notícia da festa da empresa, que vai ser dia sete de dezembro. Dois segundos depois, recebi um e-mail. Era ela: “Tu vai para me fazer Campânia, né?”
Apesar de estar tudo se encaminhando para uma noite inesquecível no dia da festa, tenho medo de me iludir , de acreditar que dá, de dar o campeonato, digo, o caso, como certo, e na hora “H” receber aquela resposta clichê das mulheres. “Desculpa... somos muito amigos para termos algo a mais”. E ao mesmo tempo, sei que, se não acreditar e me entregar de corpo e alma para esta paixão, não conseguirei nada. Que dilema! Por isso, peço a ajuda de vocês: investir, alentar e acreditar é o único jeito de conquistá-la. Pode ser que não dê certo, e a queda junto com a corneta dos colegas por um fracasso no outro dia seria quase insuportável. Por outro lado, e este é o lado seguro, ficarei na minha, esperando e dando como impossível este caso. Se acontecer? Ótimo! Se não? Ao menos ninguém vai poder falar que eu fracassei.
Neste caso, só há uma certeza. Dia sete de dezembro, alguém irá tê-la em seus braços, ela já avisou que gostaria de uma companhia. Se não for eu, alguém vai se dar bem. Faltando pouco tempo para a festa, um tal de Paulo do financeiro, que é um grande concorrente, mas que não apresentava nenhum risco, começou a chegar como quem não quer nada e, quarta-feira passada, quando sai de perto dela por quatorze segundos, lá estava ele, de gracejos para cima da moça.
Tem também um mineirinho, come-quieto, um carioca e outro paulista, rondando aqueles 1,60m de perdição.
Mas já me decidi. Comecei o ano sem expectativas, a conquistei em parte. Fui sempre o primeiro em sua preferência. Não vai ser agora que vou me entregar. Não sei o que vocês fariam, mas eu, amanhã, estarei lá, na quina do estádio, junto a melhor torcida do Brasil e do mundo, investindo de corpo e alma para que tenhamos um final feliz, prefiro me arrepender por me iludir demais do que por não tentar.
O mais engraçado é que, ao meu lado, senta um colega marrento, o Gigante, que, apesar de se vangloriar do apelido, o chamamos ironicamente assim por ele ser baixinho. Assim que viu a Nessa, me disse: “esta aí já ta no papo.”
Andou ganhando uma promoção há dois anos. Ele tem grana, é apresentável, mas se esqueceu que, antes disso, ele era o desconhecido responsável pela manutenção e serviços gerais da empresa. Conseguia alguns simpatizantes, apenas, pela sua humildade (a mim, ele nunca enganou). E agora anda dizendo que é melhor que todo mundo. Resultado: Já tomou nos dedos várias vezes da moça. Com ela, não tem mais chance nenhuma. Mas o cara não baixa a crista. Outro dia, pegando um cafezinho, o ouvi falando que ia pegar uma castelhana de segunda, a Sula, que trabalha no almoxarifado. E não é que ele ainda se vangloriava: “Ta vendo a Sula? Eu vou ser o primeiro da empresa a dar um trato nela.”
Coitado, mal sabe ele que o assistente Júnior da diretoria, o qual apelidamos de Boca, também ta louco pra se dar bem com a moça.
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