Por Silvio Pilau
Foi há quase três anos. Lembro bem. Era um sábado bastante quente em Porto Alegre. Provavelmente, estava ainda mais quente onde tudo aquilo acontecia. Aqui, o final de tarde trazia uma noite negra, que poderia durar mais um longo ano. A confiança que dormira pacificamente com todos os gremistas na noite de sexta-feira ameaçava fugir, escapando como areia por entre nossos dedos. A segurança de que tudo daria certo transformava-se em dúvida. Quase desespero.
Começou com um pênalti para o adversário, ainda no primeiro tempo. A maravilhosa defesa daquela trave trouxe alívio aos gremistas. Mas tudo piorou no segundo tempo, em um apito mágico, capaz de gelar milhões e milhões de corações. A marcação do segundo pênalti fez com que um longo filme passasse por todos os nossos olhos. Um filme sofrível, com cenários precários e uma narrativa entruncada. O típico filme que ninguém gostaria de assistir mais uma vez.
Para piorar, o vermelho começou a aparecer. Ainda mais preocupante que o uniforme do adversário, era a cor no cartão que teimava em subir na mão daquele juiz. Uma, duas, três, quatro vezes. O placar em branco. Um pênalti contra. E quatro jogadores a menos. Faltavam apenas poucos minutos. A torcida, a milhares de quilômetros de distância, acompanhando pela televisão ou pelo rádio, permanecia estática. O celular não parava de apitar. Mensagens dos rivais, já preconizando um novo ano no martírio.
Mal sabiam eles que nenhum gremista perdia a esperança. Havia, claro, medo. Até um certo estado de choque. Mas a confiança perdurava. A certeza de que o Grêmio sairia daquela situação era maior que tudo.
O resto é história. O resto é aquilo que ficou conhecido como A Batalha dos Aflitos, uma das maiores conquistas de um clube em toda a história do futebol. O que ficou foi a lição de entrega e sacrifício, o exemplo de superação e indignação. Foi a confiança cega de uma torcida e de um clube que dobrou as leis da natureza e promoveu aquilo que pode, sim, ser chamado de milagre. Foi a comprovação de que o Grêmio não é um mero time, mas uma entidade abençoada pelos deuses, destinada a provar seu valor a cada novo dia.
Hoje é um desses dias. Ontem, deu tudo errado. Os adversários venceram e a atuação foi, novamente, preocupante. A equipe ontem perdeu não somente para um time bem armado, mas para si mesmo. Perdeu para a própria afobação, para o nervosismo, para a ânsia de vencer a qualquer custo, sem qualquer cuidado. Deixou os outros candidatos ao título se aproximarem e colocou ainda mais fogo na reta final do campeonato. Alguém, no entanto, pensava que seria fácil?
Mas hoje é o dia de se recuperar. De começar, novamente, a mostrar o valor deste clube sem igual. O valor de uma torcida e a mágica dessa camisa que pode qualquer coisa. Hoje, é dia de lembrar daquele sábado, há quase três anos, quando a lógica perdeu sentido e quando o imponderável tornou-se regra. É dia de lembrar dos piores momentos daquela tarde e recordar como, quando menos se esperava, o Grêmio deu a volta por cima.
Se nem mesmo naquele dia eu perdi a esperança, por que perderia agora?
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
VIVEMOS DE ESPERANÇA
Por Felipe Sandrin
Quando você pensa no Grêmio, qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Desde que sou pequeno, é esperança que este clube me vende. Aprendi que a fidelidade e fé estão naquilo que conservamos com verdadeira paixão. Por isso, toda vez que estamos na beira do precipício, nosso amor pelo Grêmio se evidencia mais.
Onde muitos fraquejam, pensam em desistir, nós nos tornarmos mais fortes. Nesta quarta-feira, jogaremos mais uma entre tantas partidas decisivas. Jogaremos longe de nossos domínios contra um dos times líderes de aproveitamento neste campeonato, e o mais incrível disto tudo é a fé de nossa torcida – que mesmo não acreditando em Celso Roth ou em nosso plantel, segue a acreditar no Grêmio.
Não será diante uma vitória ou derrota para o Cruzeiro que o campeonato se decidirá. Seja qual for o resultado, seguiremos com nossa fé e força inabaláveis, porque este é o Grêmio que está em nossas cabeças; este é nosso espírito, e assim que aprendemos a ser.
Faltam sete jogos, não há mais tempo para descrença. Tentaram nos enfraquecer, desmerecer-nos, mas somos o Grêmio: de esperança vivemos e por isso conquistamos.
Quando você pensa no Grêmio, qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Desde que sou pequeno, é esperança que este clube me vende. Aprendi que a fidelidade e fé estão naquilo que conservamos com verdadeira paixão. Por isso, toda vez que estamos na beira do precipício, nosso amor pelo Grêmio se evidencia mais.
Onde muitos fraquejam, pensam em desistir, nós nos tornarmos mais fortes. Nesta quarta-feira, jogaremos mais uma entre tantas partidas decisivas. Jogaremos longe de nossos domínios contra um dos times líderes de aproveitamento neste campeonato, e o mais incrível disto tudo é a fé de nossa torcida – que mesmo não acreditando em Celso Roth ou em nosso plantel, segue a acreditar no Grêmio.
Não será diante uma vitória ou derrota para o Cruzeiro que o campeonato se decidirá. Seja qual for o resultado, seguiremos com nossa fé e força inabaláveis, porque este é o Grêmio que está em nossas cabeças; este é nosso espírito, e assim que aprendemos a ser.
Faltam sete jogos, não há mais tempo para descrença. Tentaram nos enfraquecer, desmerecer-nos, mas somos o Grêmio: de esperança vivemos e por isso conquistamos.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
JOGO A JOGO
Por Silvio Pilau
Claro que o momento é de ansiedade. Faltam apenas sete rodadas para a definição da competição mais importante do futebol brasileiro e o Grêmio é, sim, o maior candidato ao título. A torcida, os jogadores, a comissão técnica, todos começam a vislumbrar a possibilidade concreta de comemorar o tricampeonato nacional. É inevitável. Por mais que se tente manter os pés no chão, flashes deste possível futuro passam por nossa mente.
Por isso, acima de tudo, o momento é de calma. Deve ser. Faltam apenas sete partidas. Seiscentos e trinta minutos, segundo meus cálculos rápidos feitos de cabeça. É preciso serenidade, sabedoria e experiência. Saber que o título está próximo e tem tudo para vir parar no Olímpico, mas que está, ao mesmo tempo, muito distante. Ainda temos sete montanhas para escalar e um tropeço para colocar por terra tudo aquilo que foi construído até aqui.
O Grêmio não vem jogando bem. Isso é fato. E, de certa maneira, algo que pode ajudar, uma vez que impede a acomodação e o salto alto. Sabendo que algo está errado, o trabalho será forte para corrigi-lo. É exatamente isso que o Grêmio precisa neste momento: foco. Concentração. Não podemos deixar uma vitória nos deslumbrar, assim como não se pode permitir que uma eventual derrapada acabe com todas as esperanças. É necessário trabalho, por parte dos jogadores e comissão, e apoio, por parte da torcida.
Como? Jogo a jogo. Pensar uma partida de cada vez. Sei que é difícil, em um campeonato como esse, jogar trinta e oito partidas como se fossem decisões. Porém, agora que faltam apenas sete rodadas, acredito ser possível fazer tal pedido. Acredito ser possível disputar cada um dos jogos restantes como uma verdadeira final, como um mata-mata decisivo, no qual não se pode ceder um centímetro de campo e que nada mais importa além da vitória, venha como vier. Por um a zero, jogando mal, com gol contra, desde que ela venha.
É assim que o Grêmio deve encarar o restante do campeonato, a começar pelo duelo no Mineirão contra o Cruzeiro. Além de uma partida importante por estar na reta final do campeonato, é contra um dos adversários ao título. Uma verdadeira final, e deve ser encarada e jogada dessa forma. Seria inadmissível, em um momento como esse, ir a Belo Horizonte para buscar um ponto. O objetivo é a vitória. Três pontos, fundamentais agora. Quarta-feira, o jogo mais importante do ano para o Grêmio.
Como serão todos os outros a partir de agora.
Claro que o momento é de ansiedade. Faltam apenas sete rodadas para a definição da competição mais importante do futebol brasileiro e o Grêmio é, sim, o maior candidato ao título. A torcida, os jogadores, a comissão técnica, todos começam a vislumbrar a possibilidade concreta de comemorar o tricampeonato nacional. É inevitável. Por mais que se tente manter os pés no chão, flashes deste possível futuro passam por nossa mente.
Por isso, acima de tudo, o momento é de calma. Deve ser. Faltam apenas sete partidas. Seiscentos e trinta minutos, segundo meus cálculos rápidos feitos de cabeça. É preciso serenidade, sabedoria e experiência. Saber que o título está próximo e tem tudo para vir parar no Olímpico, mas que está, ao mesmo tempo, muito distante. Ainda temos sete montanhas para escalar e um tropeço para colocar por terra tudo aquilo que foi construído até aqui.
O Grêmio não vem jogando bem. Isso é fato. E, de certa maneira, algo que pode ajudar, uma vez que impede a acomodação e o salto alto. Sabendo que algo está errado, o trabalho será forte para corrigi-lo. É exatamente isso que o Grêmio precisa neste momento: foco. Concentração. Não podemos deixar uma vitória nos deslumbrar, assim como não se pode permitir que uma eventual derrapada acabe com todas as esperanças. É necessário trabalho, por parte dos jogadores e comissão, e apoio, por parte da torcida.
Como? Jogo a jogo. Pensar uma partida de cada vez. Sei que é difícil, em um campeonato como esse, jogar trinta e oito partidas como se fossem decisões. Porém, agora que faltam apenas sete rodadas, acredito ser possível fazer tal pedido. Acredito ser possível disputar cada um dos jogos restantes como uma verdadeira final, como um mata-mata decisivo, no qual não se pode ceder um centímetro de campo e que nada mais importa além da vitória, venha como vier. Por um a zero, jogando mal, com gol contra, desde que ela venha.
É assim que o Grêmio deve encarar o restante do campeonato, a começar pelo duelo no Mineirão contra o Cruzeiro. Além de uma partida importante por estar na reta final do campeonato, é contra um dos adversários ao título. Uma verdadeira final, e deve ser encarada e jogada dessa forma. Seria inadmissível, em um momento como esse, ir a Belo Horizonte para buscar um ponto. O objetivo é a vitória. Três pontos, fundamentais agora. Quarta-feira, o jogo mais importante do ano para o Grêmio.
Como serão todos os outros a partir de agora.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
O MAIOR DE TODOS
Por Felipe Sandrin
O mais vitorioso dirigente brasileiro, um monstro da política administrativa, um mestre na arte de ultrapassar desafios. Esse é Fábio Koff, atual presidente do Clube dos 13 e o mais vitorioso gremista vivo.
Não, ele não está de aniversario. O idolatrado Fábio Koff não precisa de data especial para ser homenageado, ele só precisa ser Fábio Koff. Quem esteve presente nas eleições do clube ocorridas nesse sábado entende perfeitamente sobre quem escrevo.
Amigo leitor, você deve estar se perguntando: "mas e o que Koff tem a ver com a situação do Grêmio hoje?". Simples. O Grêmio, que hoje busca o título brasileiro, deve ser como o aguerrido e vitorioso Fábio Koff. Insistente, consistente e consciente de que apenas o trabalho árduo traz a vitória gloriosa.
Ele, Koff, o homem de voz fraca, corpo cansado e aparência frágil, consegue ser gigante ante desafios, torna-se intransponível, faz de conquistas uma questão de tempo. Prova que não existem limitações para aqueles que descobrem dentro de si a mais poderosa arma contra o fracasso: a luta.
Nenhum de nós recorda derrotas de Fábio Koff: mas, sim, ele já perdeu muito. Porém, suas derrotas se tornaram insignificantes diante de tamanhas conquistas. Está nele a receita de um Grêmio vencedor, a fórmula que faz de derrotas ensinamentos e de vitórias a gloria máxima.
Assim seguem tuas glorias, escreve-se tua historia, e eu sigo mesmo nas mais difíceis situações a te apoiar.
O mais vitorioso dirigente brasileiro, um monstro da política administrativa, um mestre na arte de ultrapassar desafios. Esse é Fábio Koff, atual presidente do Clube dos 13 e o mais vitorioso gremista vivo.
Não, ele não está de aniversario. O idolatrado Fábio Koff não precisa de data especial para ser homenageado, ele só precisa ser Fábio Koff. Quem esteve presente nas eleições do clube ocorridas nesse sábado entende perfeitamente sobre quem escrevo.
Amigo leitor, você deve estar se perguntando: "mas e o que Koff tem a ver com a situação do Grêmio hoje?". Simples. O Grêmio, que hoje busca o título brasileiro, deve ser como o aguerrido e vitorioso Fábio Koff. Insistente, consistente e consciente de que apenas o trabalho árduo traz a vitória gloriosa.
Ele, Koff, o homem de voz fraca, corpo cansado e aparência frágil, consegue ser gigante ante desafios, torna-se intransponível, faz de conquistas uma questão de tempo. Prova que não existem limitações para aqueles que descobrem dentro de si a mais poderosa arma contra o fracasso: a luta.
Nenhum de nós recorda derrotas de Fábio Koff: mas, sim, ele já perdeu muito. Porém, suas derrotas se tornaram insignificantes diante de tamanhas conquistas. Está nele a receita de um Grêmio vencedor, a fórmula que faz de derrotas ensinamentos e de vitórias a gloria máxima.
Assim seguem tuas glorias, escreve-se tua historia, e eu sigo mesmo nas mais difíceis situações a te apoiar.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
NÃO VAI SER FÁCIL
Por Silvio Pilau
Por que não pode ser tranqüilo? Parece que é pra provocar. O Grêmio lidera, os adversários tropeçam e temos a chance de aumentar a vantagem. O que acontece? Derrota mais do que inesperada para oponentes contra os quais os três pontos eram obrigatórios. Não foi a primeira vez que aconteceu isso e, ao que parece, não será a última.
O fato é que o Grêmio continua longe de ser uma grande equipe. Ainda que seja o time com mais regularidade dentro do campeonato, e aí se explica a liderança em grande número de rodadas, o Tricolor ainda não possui esquema de jogo e elenco definitivos, o que resulta em oscilações de desempenho como aquelas que vimos ontem. Felizmente, não somos os únicos. As outras equipes, inclusive aquelas com as quais disputamos o título, igualmente atuam de forma inconstante, e aí mora nossa esperança.
O que temos a fazer? Seguir em frente, simplesmente. Roth tem sido um comandante inteligente, com boa leitura de jogo e capacidade para corrigir os erros apresentados.
Certamente, já deve ter percebido os motivos da surpreendente queda diante da Portuguesa e pensado em formas de revertê-los. O fundamental é não deixar que esta derrota abale a equipe para o restante do campeonato. O próximo jogo contra o Sport é, assim como os outros, decisivo e a vitória é o único resultado aceitável se ainda temos a intenção de sermos campeões.
Por isso, torcida e atletas, não desanimem. Por mais absurda que tenha sido a partida de ontem, ainda somos líderes. Ainda estamos no topo da tabela. Ainda somos a equipe com maiores chances de ser campeã. Não há motivo para se desesperar. É preciso calma e trabalho, pois a reta final será difícil e tudo se decidirá por muito pouco. Mas, tenho certeza, se decidirá a nosso favor, coroando o desempenho de uma equipe incrivelmente esforçada e de uma torcida sem igual.
Não vai ser tranqüilo. Até porque, com o Grêmio, nunca é.
Por que não pode ser tranqüilo? Parece que é pra provocar. O Grêmio lidera, os adversários tropeçam e temos a chance de aumentar a vantagem. O que acontece? Derrota mais do que inesperada para oponentes contra os quais os três pontos eram obrigatórios. Não foi a primeira vez que aconteceu isso e, ao que parece, não será a última.
O fato é que o Grêmio continua longe de ser uma grande equipe. Ainda que seja o time com mais regularidade dentro do campeonato, e aí se explica a liderança em grande número de rodadas, o Tricolor ainda não possui esquema de jogo e elenco definitivos, o que resulta em oscilações de desempenho como aquelas que vimos ontem. Felizmente, não somos os únicos. As outras equipes, inclusive aquelas com as quais disputamos o título, igualmente atuam de forma inconstante, e aí mora nossa esperança.
O que temos a fazer? Seguir em frente, simplesmente. Roth tem sido um comandante inteligente, com boa leitura de jogo e capacidade para corrigir os erros apresentados.
Certamente, já deve ter percebido os motivos da surpreendente queda diante da Portuguesa e pensado em formas de revertê-los. O fundamental é não deixar que esta derrota abale a equipe para o restante do campeonato. O próximo jogo contra o Sport é, assim como os outros, decisivo e a vitória é o único resultado aceitável se ainda temos a intenção de sermos campeões.
Por isso, torcida e atletas, não desanimem. Por mais absurda que tenha sido a partida de ontem, ainda somos líderes. Ainda estamos no topo da tabela. Ainda somos a equipe com maiores chances de ser campeã. Não há motivo para se desesperar. É preciso calma e trabalho, pois a reta final será difícil e tudo se decidirá por muito pouco. Mas, tenho certeza, se decidirá a nosso favor, coroando o desempenho de uma equipe incrivelmente esforçada e de uma torcida sem igual.
Não vai ser tranqüilo. Até porque, com o Grêmio, nunca é.
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