sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O CLUBE INTERNACIONAL DO RS

Por Felipe Sandrin

O Grêmio ensinou como chegar lá e, 25 anos atrás, consagrava-se o clube INTERNACIONAL do Rio Grande do Sul. O mundo estava mais azul, Porto Alegre não dormiria; não mudaria nunca mais a partir daquele dia. Surgia um novo clube diante de um velho espírito, e o conceito de IMORTAL adotado até então por Lupicínio Rodrigues ganhava o planeta.

Meus amigos, vistam o manto sagrado azul, ostentem com bravura aquilo que a duros golpes foi conquistado, orgulhem-se daqueles que transformaram o GRÊMIO NO MAIOR CLUBE DA NOSSA AMADA TERRA GAUCHA.

E não sucumbam ante o desrespeito, a inveja que se abate sobre aqueles que jamais deixaram de ser apenas coadjuvantes. Porque títulos todos podem ter, mas o pioneirismo é nosso. Nascemos primeiro, JÁ SOMOS CENTENARIOS, lutamos em guerras fora de nossas terras, longe de nossas casas, antes que qualquer um em nosso Rio Grande.

Amigo IMORTAL DONO DO MUNDO, está também em tuas canelas as marcas de travas argentinas, chilenas, paraguaias, uruguaias, alemãs, etc. Está sobre tua camisa do Grêmio o respeito com que nós, gaúchos, somos tratados e vistos.

Tu és amado, MAIS QUE CENTENARIO: orgulhe-se, torcedor gremista, pelas fotos em preto e branco que retratam os nossos títulos. O mundo em preto e branco era mais bonito, o futebol era MUITO MAIS FUTEBOL. Não havia chuteiras coloridas, chuvas de papel picado ou carro-maca para tirar canelas de vidro do campo. Tu, amigo gremista, conquistaste o mundo quando nele ainda existiam heróis que não custavam em euros ou dólares. Tu, torcedor gremista, foste o desbravador, foste como Colombo, Cabral, foste o PRIMEIRO a conquistar.

Se hoje a história existe é porque nós a escrevemos. E se hoje outros buscam, é porque estes buscam ser simplesmente como nós. Querem ser algumas páginas dentro de um livro chamado... GRÊMIO.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

UMA QUESTÃO DE OBJETIVOS

Por Silvio Pilau

Sabe-se que é difícil montar um time campeão de um ano para o outro. Na maioria das vezes, esse é um trabalho que exige um planejamento a longo prazo, tendo em vista não somente os nomes dos atletas em campo, mas tudo o que envolve o clube. Política de salários, plano de sócios e balanço financeiro em dia são apenas alguns dos fatores que influenciam na construção de uma equipe competitiva, capaz de disputar grandes títulos.

Temos alguns exemplos disso no futebol brasileiro dos últimos anos. O Grêmio de Felipão e Fábio Koff foi um deles. O Internacional de Fernando Carvalho outro. E, atualmente, o São Paulo de Muricy Ramalho. São três grandes provas sobre como um pouco de organização e estrutura têm a habilidade de se sobressair na eterna bagunça e desorganização que é o futebol brasileiro.

O Grêmio, no momento, passa por um período de transição. Temos um novo presidente, após Paulo Odone reerguer o Tricolor das profundezas do inferno da Segundona. Temos o projeto de um novo estádio, que ainda vai demorar a ficar pronto, mas já requer muita atenção desde agora. E temos, acima de tudo, um novo ano pela frente, mas, ao contrário de 2008, um ano repleto de altas expectativas por parte dos torcedores.

Iniciamos este ano prestes a terminar com medo do pior. No entanto, conquistamos uma vaga para a Libertadores e brigamos pelo título nacional até o fim. O torcedor viu, novamente, que é possível acreditar no Grêmio e que um clube com essa mística está destinado às glórias. Em 2009, temos uma Libertadores pela frente, a décima-segunda de nossa história. E, após o vice da própria Libertadores em 2007 e o vice brasileiro neste ano, o torcedor exige um título de respeito.

Por enquanto, o cenário não é muito animador. Apesar das renovações dos excelentes Victor e Rever, perdemos Rafael Carioca, que não quis nem jogar a Libertadores, preferindo se esconder na Rússia. Também foi renovado o contrato de Tcheco, um jogador pelo qual já expressei minhas muitas ressalvas, ainda que tenha apoio de boa parte da torcida. E nenhum dos nomes surgidos em meio à boataria chegou a empolgar.

A esperança, porém, continua. Sei que o Grêmio não irá montar o melhor time do Brasil, mas torço para que os dirigentes contratem com sabedoria e precisão. Tudo é uma questão de objetivos. Queremos uma boa campanha na Libertadores ou queremos o título? Os dois últimos anos nos ensinaram uma lição: a camisa do Grêmio tem valor e é capaz de grandes feitos. Mas nenhuma camisa chega sozinha a grandes conquistas. Ela precisa ser vestida por jogadores de qualidade.

O Grêmio de 2008 tinha essa qualidade, mas ela era insuficiente para o almejado pela torcida. Que o cenário seja outro em 2009.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

VALEU, GRÊMIO! A LUTA CONTINUA!

Por Cristiano Zanella

Gremistas: o título não veio, e estamos todos cansados de buscar as razões... O ataque que não faz gols, a biografia nebulosa de Roth, os reforços que não deram o retorno esperado, os times entregões e a mala preta, gols anulados, gols injustamente validados, ou mesmo o envelope com os ingressos para o show da popstar Madonna que o juizão ia embolsando! Foram momentos de alegria, dor, esperança, superação. Inacreditável: perdemos o Brasileirão! Terminada a atividade dentro das quatro linhas, se inicia o período de renovações e contratações: sai Rafael Carioca, ficam Victor, Léo e Rever, Tcheco, William Magrão e Souza, possivelmente Celso Roth.

A base está formada, mas há a necessidade (urgente!) de se contratar laterais (que não sejam do naipe de Patrício, Bustos, Hidalgo, Paulo Sérgio) e o jogador de exceção para o ataque (esqueçam os medalhões em fim de carreira como Luisão, Christian, Amoroso, e agora Washington – precisamos de sangue novo).

O Grêmio não faturou títulos este ano porque não teve ataque, não teve centroavante, e isso no futebol é fatal! Mesmo assim, a espinha dorsal da temporada 2008 servirá como base para o próximo ano, e isto por si só já é uma baita notícia, novidade em anos recentes. Até o início da temporada 2009, serão pouco mais de seis semanas sem jogos oficiais – dá tempo para montar o time (nosso primeiro confronto no Gauchão será fora de casa, contra o Inter SM, em 21 de janeiro).

De janeiro a julho, acontece a histórica 50a edição da Copa Libertadores da América, a ser disputada simultaneamente com o Campeonato Gaúcho e as primeiras rodadas do Brasileirão. Mesmo que os adversários da primeira fase sejam ilustres desconhecidos, vale lembrar que na Libertadores não tem barbada, e que precisamos reforçar o elenco com quantidade e qualidade. É bom saber que a nova diretoria já está ligada, trabalhando na busca de jogadores. Vamos pensar grande que a torcida banca, ou alguém duvida que irá aumentar o número de sócios tricolores com a participação na Libertadores e a perspectiva da nova Arena?

Fica, é claro, uma certa frustração pela(s) oportunidade(s) perdida(s), afinal de contas, faltaram apenas três míseros pontinhos. Mas valeu, Grêmio! Valeu, torcedor gremista! Muito obrigado pelos momentos inesquecíveis ao longo da temporada! A luta continua! Faça chuva ou faça sol, na vitória ou na derrota, aplaudiremos o Grêmio onde o Grêmio estiver! A festa é nossa! O céu é o limite!

E amanhã... vai ser outro dia! Grêmio sempre!!!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O INTER SONHA SER O GRÊMIO

Por Felipe Sandrin


O maior patrimônio de um clube é sua torcida, e mais uma vez demos a prova do porquê somos únicos nesse imenso planeta bola. Domingo, enquanto um avião sobrevoava o Olímpico com o dizer "Inter campeão de tudo", eu fiquei a questionar-me de onde vem tamanha rivalidade. Após uma análise fria dos fatos, eis que chego à resposta.

Fernando Carvalho quer mais argentinos no time. Ele percebeu a força do sangue platino; ele e toda torcida também notaram que não é feio se inspirar nos bons. Por isso, adotaram os cânticos das barras-bravas e buscam inspiração em nossa linda torcida azul.

Há anos, colorados se dizem o clube do povo, mas ai percebo que o Brasil é um país em sua extrema maioria "povão": por que então o "clube do povo Inter" perde em TODAS as pesquisas referentes às maiores torcidas para o clube dito preconceituoso, o Grêmio?

Um plano de 100 mil sócios, onde visa-se o lucro acima de tudo, por isso tanto SÓCIO não conseguiu ingresso para a GRANDE, IMENSA final da Sul-Americana? A vontade de ter um estádio cheinho é tanta que o plano é 100 mil sócios: onde vão ficar os que não conseguem ingressos? Ai é com eles.

O Inter, papa-títulos, temido e respeitado, QUER a Libertadores, SONHA, ALMEJA INTENSAMENTE a Libertadores, mas conheceu tal título há pouco tempo. Até então, só acompanhavam pela TV, secavam e imploravam para que o Grêmio não vencesse.

O Inter, festejado, aclamado, que projetou uma equipe para lutar pelo título brasileiro, terminou o campeonato brasileiro – que era seu GRANDE E MAIOR objetivo – 18 pontos atrás do Grêmio: isso mesmo, 18 pontos atrás do Grêmio, sem nunca ter tido a oportunidade de brigar pelo título, sem nunca ter sabido o que fazer, senão somente figurar no, até então, PARA ELES, mais importante campeonato do ano.

Pobre Inter...não sabia que na qüinquagésima edição da Libertadores só entrariam grandes campeões. Acabou não sendo convidado. E agora, a todo custo, tenta forjar um convite: estão piores do que adolescentes tentando se "muquiar" em festa de 15 anos.

Esse é o Inter, um clube que entrou no século 21 com tudo: admiram o futebol argentino; sonham serem vistos como o clube do povo; Almejam 100 mil sócios para assim garantirem bons públicos; almejam incessantemente a Libertadores da América; Abandonam o barco quando vêem que os objetivos parecem impossíveis.

Enquanto aquele avião sobrevoava o Monumental Olímpico, domingo, eu disse a mim mesmo: Caramba, o campeão de tudo sonha com o que nunca poderá ter, sonha com o que nunca poderá ser... O GRÊMIO.

Existem sim duas torcidas nesse estado: os azuis e os que sonham ser.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O ORGULHO DE SER GREMISTA

Por Silvio Pilau

O cronômetro sobre o pulso do árbitro marcava, aproximadamente, trinta e nove minutos do segundo tempo. No placar eletrônico do estádio, lia-se uma vantagem de dois a zero para a equipe mandante. Os dois anéis do estádio estavam tomados por pessoas de todos os gêneros e idades vestindo azul, preto e branco. Os olhos pairavam sobre a relva verde diante de si, mas a atenção permanecia voltada para uma distante partida ocorrendo no centro-oeste do país.Foi quando veio a informação de que aquele jogo havia encerrado.Houve um reduzido instante de decepção. Um átimo de segundo tomado de tristeza pela glória que se escapava.

Lentamente, porém, o silêncio começou a desaparecer. Ruídos primeiramente tímidos, escassos, de mãos uma ao encontro da outra. Pouco a pouco, elas foram se fazendo ouvir. Mais e mais palmas se somavam para formar um som de reverência e respeito. Logo, o estádio estava tomado por aplausos. Uma demonstração de amor e, acima de tudo, reconhecimento.É fato que o Grêmio foi muito mais longe do que se esperava dele. No início do campeonato, analisando equipe e momento, o Tricolor tinha um futuro negro à frente. Mas esse não era um time qualquer.

Ali não estava um time capaz de satisfazer com pouco e preso às regras que guiam o restante dos clubes. O Grêmio é surpresa, é superação, é subversão de expectativas. E chegou ao final do campeonato como a única equipe capaz de fazer frente ao São Paulo. Por isso, o reconhecimento emocionante de uma torcida sem igual.O que se viu no Olímpico nos minutos finais da partida e por algum tempo após seu término é algo raro no futebol brasileiro. Não é por acaso que poucos entendem o verdadeiro sentimento de ser gremista. Torcer para o Grêmio não é vibrar somente com vitórias. Não é ter paixão por faixas e troféus conquistados pelo clube. O coração gremista existe somente pelo amor incondicional ao clube. Um amor inabalável, vivo em todos os momentos e com constantes demonstrações de sentimento.Ontem, foi mais um exemplo.

O Grêmio não levou o título, mas foi campeão. Não campeão moral, pois isso é coisa de time pequeno. O Grêmio foi campeão porque é um campeão sempre. Sua essência é a de um time vencedor e a postura tricolor dentro de campo mais uma vez provou isso. As lágrimas correndo pelos rostos dos jogadores significam não somente a dor da não-conquista, mas a compreensão de que os torcedores, únicos e inigualáveis, mereciam algo melhor. Esse reconhecimento é nossa grande vitória.Por isso, parabéns a todos. Parabéns aos atletas que deram o máximo de si em uma campanha magnífica. Por vezes derraparam, por vezes fraquejaram, mas souberam compreender o que significa ser gremista. Parabéns ao técnico Celso Roth, por superar um ambiente completamente contrário a si e realizar uma jornada acima de qualquer expectativa.

E parabéns, acima de tudo, a essa torcida magnífica, a melhor do Brasil. Parabéns a cada um de vocês que apoiou, que acreditou, que não desistiu. Nas arquibancadas do Olímpico, com o radinho no ouvido ou simplesmente com o distintivo sobre o peito em algum lugar do mundo, parabéns e muito obrigado. São vocês, somos nós, que fazemos deste um clube diferente de qualquer outro. Somente nós conhecemos o orgulho de ser gremista.

Um orgulho que, certamente, verá muitas glórias no próximo ano.