sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O ERRO DA MÁ PERSPECTIVA

Por Felipe Sandrin

Domingo acaba o ano, meu ponto de vista: Grêmio surpreendeu, e o Inter ficou abaixo do esperado.

A decisão da direção colorada de montar uma equipe no meio da temporada acabou com as imensas pretensões do clube. Ano que vem, ante o centenário, não haverá a Libertadores. Neste ano, que a princípio encaminharia tudo para a glória no centenário, faltou entrosamento. Mesmo com bons jogadores, tardou-se a surgir um time unido. Houve um grande acerto no segundo semestre, que surgiu devido ao desespero: a Sul-Americana tornou-se fundamental do dia para a noite, e o time vermelho entrou com tudo na competição. A meu ver, fizeram uma escolha lógica e certa: era isso ou acabar o ano sem nada.

Em resumo: Fernando Carvalho é realmente um grande dirigente, fez de um ano perdido a pancada que causou amnésia na torcida colorada. Diante da promessa de dar o mundo ao clube em 2009, não existirá tal opção.

Já o Grêmio surpreendeu diante do erro: o erro da má perspectiva. Nós, gremistas acostumados a títulos e grandes feitos, há alguns anos percebemos a decadência do clube. A decadência da qual falo é a de ímpeto com a grandeza. A melhor notícia dos últimos anos foi a Arena. Veio dela a prova que ainda existem dirigentes que pensam grande e em um Grêmio forte no futuro. Digam-me como pode um clube como o nosso começar um campeonato não sendo favorito e temido? O Grêmio, em segundo, é dado como um ótimo resultado, sendo que anos atrás não nos contentávamos se não obtivéssemos o título.

Domingo, o Olímpico vai estar lindo. Como gremista. acredito no título; como um analista, vejo ele muito longe. Mesmo que percamos este título, tenho certeza de que a torcida cantará e vibrará muito com o apito final. Ficará um vago sentimento de derrota, mas certamente iremos ver que deste grupo nos surpreendeu e, diante cagadas e acertos deste ano, colhemos algo de muito bom. A América estará em pauta novamente e sabemos que quando o Grêmio está nela o bicho pega.

Bom, amigos, foi um prazer cá estar o ano todo junto a vocês. Lembrem-se que, entre as coisas de menos importância, o futebol é a mais importante. Respeitem para serem respeitados e ouvir uma corneta não faz mal a ninguém.

Um abraço tricolor de um talvez campeão brasileiro – mas, independentemente de tudo, sempre apaixonado gremista.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

É CHATO ESSE GRÊMIO

Por Silvio Pilau

Torcer pro Grêmio é um saco. Sério, a gente não consegue se livrar desse time. Quando pensamos que já era, que poderemos cuidar unicamente de nossas próprias vidas, lá vem o Grêmio respirar novamente e nos puxar mais uma vez para o Olímpico. Que time teimoso, Deus do céu. Não desiste nunca. Fica lá, mordendo os calcanhares dos adversários até o fim e, se deixarem, abocanha o troféu.Isso acontece em quase todos os campeonatos que o Grêmio disputa. Na fase de mata-mata da Libertadores do ano passado, por exemplo. Perdia fora de casa a primeira partida. Aí, fazíamos nossos planos para as futuras quartas-feiras à noite, acreditávamos que seria possível ver a novela, mas não. No jogo da volta, o Tricolor ia lá e fazia jus à alcunha de Imortal revertendo o resultado e se segurando por mais uma fase.

É o mesmo caso dessa reta final do Campeonato Brasileiro. Quando tudo parecia ganho, começamos a perder. Depois do jogo contra o Cruzeiro, muitos acharam que não dava mais. Mas o Grêmio continuou. Após a partida contra o Figueirense, a maioria desistiu. O Grêmio não.

Depois da goleada para o Vitória, toalhas tricolores tomaram o chão. No entanto, o Grêmio não se entregou, massacrou o Ipatinga e viu o Fluminense arrancar um empate contra o São Paulo.Então, como estamos? Estamos vivos, ainda. Não agüento mais. Queria estar jogando com reservas, não disputando o título. Mas o Grêmio não deixa. Chega à última rodada na cola do São Paulo, jogando um temor imenso sobre o Morumbi. Coitados dos jogadores são-paulinos. Esse Grêmio insuportavelmente chato não os deixa mais dormir sossegados. Até o próximo domingo, os atletas de lá vão sofrer de insônia, nervosos, pensando nesse time pé-no-saco para o qual a gente torce.Digam, quantos de vocês não tinha planejado ir para a praia no próximo final de semana? Viajar um pouco para arejar a cabeça, deixar de lado o stress do trabalho ou das aulas e curtir o mar? Aposto que muitos fizeram isso achando que o Grêmio estaria morto na próxima rodada.

E agora? Vamos todos ter que reformular nossos planos e redefinir nossas agendas, pelo simples motivo de que o Grêmio não se entrega.Mas, já que é assim, estaremos lá novamente. Já que essa absurda teimosia faz parte da essência do Grêmio, só nos resta continuar ao lado desse time, apoiando como nunca e com um ouvido a quilômetros e quilômetros de distância lá na capital do Brasil. Só porque esse time não consegue desistir. Porque é um verdadeiro carrapato, que se agarra como louco à menor esperança. Só porque esse time, para desespero do São Paulo, ainda acredita que o título é possível e vai lutar até o final por ele.É chato esse Grêmio!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ALGUMAS RAZÕES PARA ACREDITAR

Por Cristiano Zanella

Era difícil...! Tornou-se possível! Mas, convenhamos, pouco provável. Nada mais do que isso. Os três pontos que nos separam do São Paulo e que prorrogam a decisão do campeonato para a última rodada ficaram para trás, em jogos contra Flamengo, Botafogo, Inter, e mais recentemente o Goiás, o Figueirense, o Vitória. Dos bambis ganhamos duas vezes! Contra Cruzeiro e Portuguesa, fora de casa, fomos ridículos. Parecia que tudo ia acabar ali, logo ali em frente, na próxima rodada. Mas o imortal se recusava a morrer. Bem, já não adianta lamentar o que passou; o time foi suficiente para garantir a Libertadores, não o título. Sempre apostei num tropeço do São Paulo, mas sabia que o Grêmio iria deixar escapar pontos nas rodadas finais. Aliás, tinha certeza! Agora é tentar buscar razões para – ainda – acreditar. E em se tratando do Grêmio, tem que se acreditar sempre!

Bueno: o primeiro passo é – evidentemente – lotar o Olímpico e fazer o serviço de casa, amassando o pão de queijo mineiro. Na convicção de que ganhamos nosso jogo, aí é botar fé na vitória do sempre traiçoeiro Goiás. O mesmo Goiás que há pouco nos surrupiou três pontos em casa, num jogo que não podíamos perder! O Goiás que no ano passado se manteve na primeira divisão contando com a ajuda do Grêmio! O Goiás do falastrão Hélio dos Anjos, do gremistão Paulo Baier, do bom goleiro Harlei, do ídolo colorado Gabiru!

Outro fator ao qual podemos nos apegar diz respeito ao duro golpe que atingiu o virtual campeão na rodada anterior, quando jogando mal, o poderoso São Paulo empatou com o Fluminense, em casa. A festa já estava armada, o chope encomendado, as camisetas confeccionadas, e o Flu foi lá e detonou com tudo, chutou a mesa da festa, derrubou o bolo no chão! Bem, se o líder São Paulo não ganhou do fraco Fluminense em casa, pode muito bem perder pro Goiás fora. Vale lembrar que, ao longo da temporada, o Goiás já bateu todos os integrantes do pelotão de frente: Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo. A semana vai ser de especulações, negociações, declarações polêmicas e de suaves secações. Só nos resta esperar...

Gremistas: o foco tem que estar dentro do campo! Já não depende apenas da gente, mas vamos botar fé, pensar positivo! Sinto novamente uma força estranha no ar... Que os deuses do futebol nos acompanhem em mais esta épica jornada! Domingo é dia de ver o mar azul colorir as ruas da cidade... Fé! Esta é a palavra!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

FIZESTE O TEU MELHOR, GRÊMIO

Por Felipe Sandrin

Sento em frente ao computador, documento de word, uma folha branca e um texto a digitar, uma rotina diária que tornou-me mais analítico do que unicamente apaixonado. Penso no que poderia dizer a vocês, amigos gremistas que sofrem e torcem com a mesma força do que eu.
Faltam-me palavras – e quando alguns dizem que tenho o dom de dizer o que muitos pensam, eu mesmo me questiono: por que então me sinto sempre tão cheio de coisas a dizer? Por que diante tudo é tão difícil descrever o sentimento de ser gremista?

O que esperar para este ano? O que você, amigo tricolor, esperava do Grêmio neste Brasileiro? Sim, o futebol é uma caixinha de surpresas, cada jogo pode trazer um novo feito: mas, amigos, me digam como por 38 rodadas um time dado como medíocre conseguiu chegar à última rodada vivo, com chance de título, já classificado para uma Libertadores?

O Grêmio é incrível. Este clube só pode ter sido lapidado por mãos de deuses. Quem eram Réver, Victor, Pereira, Willian Magrão, Rafael Carioca? Em um campeonato sem grande estrelas, éramos até então o time de menos brilho. Digam-me um campeonato assim, que fez de um time medíocre o adversário a ser batido?

Porque nós nascemos da dificuldade: não há lágrima dada em vão porque o Grêmio sempre volta. Mais cedo ou mais tarde, conquista o impossível, o inigualável. Fazemos de um título não somente mais um título: fazemos com que, nos piores momentos, pensemos que um dia os mesmos deuses que fizeram este clube joguem nele. Por um segundo, um mísero segundo, eles vestem nossa camisa. E então escreve-se mais um capítulo inesquecível de nossa história.
Eu olho para os lados e, seja na derrota ou vitória, vejo que não estou sozinho. Sempre haverá um Olímpico lotado, uma rua repleta, um boteco entupido de gremistas apaixonados. E onde quer que eu esteja, sei que não estarei sozinho. Para chorar ou para sorrir, és tu, Grêmio, o meu maior e melhor motivo.

Com ou sem título, foi este um ano incrível. E eu sei que tu, Grêmio, assim como eu, fizeste o teu melhor.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

AMÉRICA, ESTAMOS DE VOLTA

Por Silvio Pilau


Cada pessoa tem o seu lugar no mundo. Aquele espaço que gera apenas sentimentos maravilhosos e onde a vida faz completo sentido. Para alguns, é a própria casa, ao lado da família. Para outros, é o escritório de trabalho, onde põe em prática toda a ambição. Para outros mais, é em uma festa, cercado de amigos dançando até perder as pernas. Diferente para cada um, mas, sem exceção, todos nós temos aquele nosso cantinho favorito onde tudo se justifica.

E isso não ocorre somente com seres humanos. O Grêmio, por exemplo. O Tricolor já circulou por todo o planeta, conquistando títulos em terras longínquas. Já disputou diversos campeonatos, desde pequenos torneios que pouco valiam até as maiores glórias possíveis para um clube de futebol. No entanto, há uma competição em particular que é a razão de ser de todo gremista. Uma competição onde o Grêmio encontra sua verdadeira essência: a Libertadores da América.

A Copa não é somente um campeonato de futebol. Ainda que muito do aspecto de guerra que antes tornava-a a taça mais difícil para um clube tenha desaparecido, a Libertadores continua sendo uma provação e um desafio a todos que a disputam. Na Copa, uma equipe formada por atletas, por boleiros, jamais chegará ao título. São necessários homens de verdade, guerreiros de fibra e heróis destemidos, dispostos ao sacrifício e em busca de um lugar na história.

Por isso, o Grêmio é um dos clubes mais tradicionais da história do campeonato. São mais de dez participações, quatro finais e dois títulos. Momentos históricos como a batalha de La Plata (quando o Estudiantes ainda era um grande time) e o inesquecível duelo contra o Palmeiras em 1995. Sangue, pontapés, provocações, carrinhos e, ocasionalmente, um pouco de futebol. A trajetória gremista está completamente arraigada à história da Libertadores. Um precisa do outro. Um sem o outro parece uma cópia de algo vazio e sem essência.

Pois o Grêmio está de volta. A vitória de ontem contra uma das piores equipes que já vi jogar carimbou a passagem Tricolor para a Libertadores. Se o título virá, isso é algo que somente será decidido no próximo domingo. As esperanças voltaram a se reacender. Poucas, ínfimas, mais que teimam em não morrer. Porém, a disputa da Libertadores em 2009 já está garantida e, convenhamos, isso já é muito mais do que imaginávamos no início do campeonato.

Então, resta-nos a esperança de que a direção entenda o sentimento dos torcedores em relação à Libertadores. Resta-nos acreditar que eles compreendam a importância dessa competição e não poupem esforços para construir uma equipe realmente capaz de disputar o título. E resta aos adversários começarem a se preocupar. Resta à América se precaver, pois o Grêmio está de volta.